Escrito por Fabio Hernandez - 14/06/2007

A atriz e o sexo casual

Gosto do digg.com. Um dos meus sites favoritos. As pessoas enviam textos que leram em algum lugar e gostaram. A comunidade avalia e coloca em destaque os textos que despertaram mais interesse. Acabei de entrar. O artigo mais lido de hoje é sobre a atriz Jessica Alba. Numa entrevista à Cosmopolitan, célebre revista feminina americana, Jessica defendeu o sexo casual. One night stand, como se diz em inglês. “Gosto de dormir com caras diferentes”, diz ela. Um requisito especial para você chegar à cama de Jessica é você cair fora pela manhã. “Não acho que mulheres que gostam de sexo sejam piranhas”, disse Jessica. Considero o grande índice de leitura obtido por Jéssica em suas confissões à Cosmo e me pergunto: do que as pessoas gostam mais, de ler sobre sexo ou de praticar?

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Escrito por Fabio Hernandez - 14/06/2007

O homem jovem e eu

Vejo alguns comentários nas novas confissões de um jovem que vem traçando uma professora madura de castelhano. Algumas pessoas dizem que sou eu mesmo que escrevi o texto. Sou um escritor barato, é verdade. Mas escrevo tão mal quanto o jovem pegador?

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Escrito por Fabio Hernandez - 14/06/2007

Inteligência atrai inteligência?

Depois de muitos anos, releio, com vagar e prazer, o romance Contraponto, de Aldous Huxley. Muitas passagens me chamam a atenção. Huxley tinha malícia, ironia, profundidade, e transmitia tudo isso a seus personagens. Num trecho, uma mulher casada, provocativa e flertadora diz a um homem – ao qual oferece a vista poderosa de um pedaço dos seios pelo decote ousado -- mais ou menos o seguinte: “Uma pessoa inteligente não se casa com outra pessoa inteligente. Veja, por exemplo, meu caso. Meu marido vive reclamando que sou inteligente demais.” É uma frase que faz pensar. Não sei se é uma frase genial ou idiota. E você, que acha?

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Escrito por Fabio Hernandez - 14/06/2007

Fantasia versus realidade

Um grande escritor dizia que a melhor orgia na vida real não se iguala a uma página literária de pornografia. A ficção, alegava ele, vem livre, depurada das imperfeições da realidade. Ninguém, na fantasia, tem mau cheiro, ou mau hálito, ou tantas outras inconveniências que existem no mundo como ele é. Conversa de escritor, para quem a ficção é sempre superior à realidade, ou verdade inegável? Quem já experimentou ambos talvez possa responder.

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Escrito por Fabio Hernandez - 14/06/2007

Ou você trai ou é traído

Nelson Rodrigues, o maior frasista do Brasil, está na capa da revista Bravo. Dele lembro de muitas frases provocadoras, insistentes, repetidas exaustivamente em seus textos. Uma delas: no amor, ou você trai ou é traído.

A escolha é sua, portanto. Ou não?

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Escrito por Fabio Hernandez - 12/06/2007

Orgasmo ou promoção?

Li numa revista feminina, se não me engano a Criativa, que a maioria das mulheres optariam por uma promoção, se tivessem que escolher entre isso e uma noite de sexo maravilhoso. Faz sentido? Me pareceu tão ... materialista a escolha. Queria ouvir as mulheres da nossa comunidade sobre esse tema.

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Escrito por Fabio Hernandez - 12/06/2007

Os gemidos da Sharapova

Minha televisão fica ligada o tempo todo em Roland Garros. Maria Sharapova infelizmente foi derrotada. As adversárias reclamam dos gemidos – técnica de respiração, na verdade – que ela emite nos jogos. Gemidos que são quase berros. Os homens, claro, apreciam. Me ocorre que uma boa maneira de uma mulher conquistar um homem é leva-lo a uma quadra de tênis e praticar a técnica respiratória de Sharapova.

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Escrito por Fabio Hernandez - 12/06/2007

Maternidade versus trabalho

Uma colunista da revista Época Negócios fala sobre a onda de mulheres americanas que deixaram o emprego para cuidar de seus filhos. Há uma pressão invisível da sociedade para que as mães estejam mais perto das crianças. E as empresas não são flexíveis o suficiente para que mulheres consigam equilíbrio entre os papéis de mãe e trabalhadora. No Brasil o mesmo fenômeno começa a acontecer. Não dá para ser boa mãe e boa funcionária ao mesmo tempo? Minha parece que a resposta, numa era tão demandante, tão exigente, é não. E você, que acha?

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Escrito por Fabio Hernandez - 05/06/2007

Quatro meses não é nada?

Gisele Bundchen, leio na Folha de hoje, defende o aborto. Sem problemas. Muita gente é a favor, muita gente é contra. Há argumentos consistentes para ambos os lados. Acho apenas que opiniões desinformadas não ajudam no debate. Ela diz – pelo menos é que está no jornal, e é preciso dizer que jornalistas são loucos para errar informação -- que até quatro meses o que está na mulher não é “quase nada”. Gisele faltou às aulas de biologia. Mas por favor, amigas e amigos: é maldade defini-la como loira burra.

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Escrito por Fabio Hernandez - 05/06/2007

Novas confissões de um homem jovem

Recebo mais uma mensagem do garoto que está namorando com a professora de espanhol que poderia ser sua mãe. Por entender que ajuda no debate tão momentoso, transcrevo suas palavras:

“Não estou entendendo por que me atacam tanto. Forneço orgasmos múltiplos a uma mulher quase ressecada em matéria de prazer por conta de um casamento desgastado – e em vez de ser saudado recebo pauladas? Os presentes que recebo – ontem ganhei um blazer Armani --, o dinheiro que, mesmo sendo pouco para ela (200, 300 reais por semana), é muito para mim – essas coisas me tornam um ser humano repulsivo? Dou e ganho, ambos lucram: não é esta a essência de uma relação saudável? Adoro livros. Gostaria de ser escritor, como o Fabio Hernandez. Só posso comprar livros com o dinheiro de minha velha musa. Há algo de imoral nisso? Penso às vezes no marido dela, admito. Um leitor notou com razão, num comentário sobre minha história, que quando me casar posso ser eu vítima da mesma coisa. Posso mesmo. Por isso vou cuidar bem da amada que levar ao altar. Não vou fazer como o marido dela, que mantém um apartamento para uma menina do Bahamas. Minha professora me contou, e seus olhos estavam úmidos ao falar do assunto. Peço um pouco mais de respeito, por favor. Para dar prazer a uma coroa – ouvi essa expressão do meu pai, e adorei – me esforço demais. Tudo funciona em mim mais naturalmente – do ponto de vista sexual – quando tenho a meu lado na cama uma jovenzinha de carne macia. Seios firmes, olhos inocentes, rosto liso e fresco. Não há um aspecto generoso em minha história? Vi pelos comentários que muitas coroas guardam recordações quentes de garotões como eu. Existe presente melhor do que grandes lembranças? Elas não dão sentido à vida? Forneço portanto não só orgasmos como recordações. Recuerdos, como me ensinou minha namorada. Mais respeito, por favor. Gracias. Muchas gracias.”

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Escrito por Fabio Hernandez - 01/06/2007

Confissões de um homem jovem

Recebi de um homem jovem um relato que passo adiante por entender que enriquece o nosso debate sobre relacionamentos de mulheres maduras com garotões.

“Tenho lido a discussão em seu blog sobre mulheres mais velhas e homens jovens. Decidi narrar meu caso. Talvez ajude no debate. Tenho 21 anos, e namoro há dois com uma mulher incrível de 44. Ela é casada com um executivo, dá aula de espanhol num colégio rico e é mãe de três filhos. O sexo com ela é bom, embora – admito -- nem tanto como com mulheres da minha idade. Você sabe. Aquele fogo que a mulher – e o homem – só tem aos 20, 20 e poucos. Mas ela me dá segurança, e quem não precisa disso? Me sinto numa posição de vantagem. É como se ela precisasse mais de mim do que eu dela. Para um cara jovem como eu, é relativamente fácil conquistar mulheres de mais idade. Os maridos cuidam mal. Mas não é tão fácil, para uma mulher mais velha, conseguir caras como eu. Gosto, confesso, do ciúme que provoco nela. E não que eu seja interesseiro: mas como gosto das demonstrações freqüentes de gentileza. Ela sempre me dá bons presentes, e de vez em quando me dá dinheiro para eu comprar o que queira. Meu papel é dar a ela bom sexo, e faço isso bem, acho. Capricho até nos gemidos. Também sempre digo que ela está linda. Tenho a impressão de que o marido dela não diz que ela é linda há muitos anos.”

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Escrito por Fabio Hernandez - 01/06/2007

Brilho eterno

Vejo a sua foto de menina. O rosto alegre, petulante, leve que só se tem quando se é jovem. Os olhos verdes nos quais sempre pensei, às vezes absurdamente comovido, ao ouvir o bolero lindo que fala exatamente de olhos verdes. E leio as palavras ingenuamente sublimes escritas atrás da foto. Era uma espécie de despedida de um cara que tinha surgido e passado: eu. Não era bonita sua letra, essa é a verdade. Mas você, em compensação, foi a menina de 15 anos mais bonita que a humanidade já viu. Se não me engano, escrevi isso um dia a você.

E então, no meio dessa viagem nostálgica, me ocorre o filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. O nome do filme é uma citação de um poeta, Alexander Pope (século 18). Sou um cara que gosta de citações, de Sêneca, meu companheiro nas horas duras, a Nelson Rodrigues, o maior frasista que o Brasil produziu. Pode ser uma falácia, mas é uma frase poderosa em sua sonoridade provocadora. O amor, primeiro, traz encanto; depois, traz angústia. Quanto maior o encanto, maior a angústia. É uma espécie de preço das coisas legais das quais desfrutamos. Na hora do tormento, é grande a tentação de arrancar da mente as lembranças de quem nos levou aos cumes do prazer e, depois, ao abismo miserável do sofrimento. Queremos só a primeira parte, não a segunda, e não aceitamos que é impossível ter uma sem ter a outra. Remover as memórias afetivas de alguém que hoje nos faz sofrer é a redenção, como mostra o filme, no qual uma clínica faz sucesso exatamente com isso. Homens e mulheres sofridamente apaixonados e decepcionados libertam-se de suas dores ao extirpar as lembranças.

O bonito, no filme, é o dilema no qual os protagonistas se vêem. Você quer mesmo apagar o passado? Tem certeza? O tormento vai ser obliterado, mas com ele todos aqueles momentos nos quais parecia que a felicidade estava ao alcance das mãos. O primeiro encontro, o primeiro beijo. A primeira vez, acomo escreveu Hemingway, em que a terra tremeu a seus pés. (Segundo Hemingway, a terra treme apenas três vezes na vida das pessoas, não mais que isso.)

E então, é para apagar tudo mesmo?

Penso em mim, penso em você, contemplo sua foto que agora mesmo repousa em minhas mãos e digo que não. Você fez a terra tremer pela primeira vez para mim. A separação me atirou a um estado de melancolia que, de certa forma, me acompanhou desde então. Você involuntariamente moldou minha personalidade depressiva. E eu tinha sido um garoto alegre, um cara de piadas instantâneas. Mas não quero ir à clinica do filme. Aceito – mais que isso, venero – o preço avassalador que paguei pelo privilégio de tê-la.

Antes de guardar a foto, me pergunto o que se deu com você. Gostaria tanto que você tivesse sido poupada de todas as tristezas da vida, mas isso nunca acontece. Infantilmente, torço para nunca mais encontrá-la. Não quero que a imagem da menina de 15 anos mais bonita do mundo se arranhe. E, mais que tudo, não quero o brilho eterno de uma mente sem lembranças.

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Escrito por Fabio Hernandez - 30/05/2007

E a vencedora é ...

Kate Winslet. Salvou do naufrágio Titanic, e foi definitivamente excitante em Pecados Íntimos no papel de uma angustiada e fogosa adúltera. Também em Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças ela nos fez suportar melhor Jim Carrey fora do papel de comediante. Ela parece dizer com aquele seu olhos gulosos: tudo é possível, tudo é possível. E aí me lembro de uma frase de Rocky Horror Show: "erotic madness beyond any measure" Loucura erótica acima de toda medida. Kate Winslet, como os quadros de Klimt, cabe bem nesta frase. (Não sabe quem é Klimt? Google já.) Ela tem apenas uma rival no mundo que está aí: Angelina Jolie.Sei lá por que, imagino as duas juntas. Angelina gostava da companhia de mulheres na cama. Será que ainda gosta? As tatoos de Angelina são bem mais interessantes que Brad Pitt.

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Escrito por Fabio Hernandez - 30/05/2007

Odeio Você

No show de Caetano a música que mais faz sucesso é Odeio Você. Dizem que foi feita para a ex-mulher. Meu guru Dalai Lama diz que raiva não se deve cultivar. Faz mal para a gente. Sou, essencialmente, um homem de compaixão. Mas o fato é que é uma delícia olhar para alguém e dizer com a convicção dos fanáticos: odeio você. A ex-mulher de Caetano deve ser insuportável para ter sido a musa dessa música. O próprio Caetano, gênio total na música, é. Ele poderia cantar esta música de frente para o espelho.

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Escrito por Fabio Hernandez - 30/05/2007

A mulher do Renan

Morena interessante, mostra a foto. Dizem que é jornalista, mas ninguém consiga citar uma reportagem ou artigo que ela teria feito. Em compensação, amantes poderosos são citados em bom número. Nunca subestime uma mulher em busca de vingança. Renan citou Cícero, pobre Cícero, em seu discurso que, para citar um comentário de um internauta, não convenceu nem a ele próprio. Se Renan tivesse lido Sêneca e não Cícero talvez evitasse a humilhação pela qual está passando. Disse Sêneca sobre casos de amor ilícito como o de Renan e a mulher irada: “É mais fácil não começar do que terminar”. Todo o prazer que ele possa ter extraído da mulher irada é insignificante diante do preço que ele está pagando. Mais fácil não começar do que terminar. É sábio pensar nisso antes de dar certos passos sugeridos pela tentação.

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Escrito por Fabio Hernandez - 28/05/2007

Confissões de uma mulher madura

Recebi de uma anônima ilustra o depoimento abaixo. Ela me julgou machista ao falar de homens novos e mulheres nem tanto. Achei tão rico o relato que decidi transcrever na íntegra, para abrir um debate em nossa pequena mas unida (ou não?) comunidade. Ei-lo.


“A Susana Vieira não sabe, mas esse policial militar do subúrbio que ela levou ao altar não destruiu apenas uma suíte de motel: ele fez um bom estrago na fantasia de muitas mulheres poderosas.

“Estava na cara que isso ia acontecer. Viu só?”, perguntou um rapaz à mãe, coitada, que namora um cara 25 anos mais jovem. A mensagem é cruel: mulher mais velha que se mete a ter um caso (pior ainda, casar) com alguém com a metade da sua idade está condenada a ser traída ou abandonada da forma mais grotesca possível. Namorados mais jovens sempre acabarão em motéis com prostitutas ou garotas da idade deles. Logo, mulher mais velha tem que ficar com homem mais velho. Ali, direitinho, resignada.

Essa lógica é, naturalmente, furada. Cada vez mais furada.

Quem condena uma transa entre uma mulher mais velha e um garoto desfralda um argumento que parece imbatível. Ô, sua tonta, não está vendo que é puro interesse? Interesse material, profissional, financeiro, ou o simples fascínio pelo poder, pela influência, pela visibilidade. É só dar uma olhada em todos esses homens mais velhos, passados os 60, 70, 80, ou 90 anos – Oscar Niemeyer, João Gilberto, Chico Buarque, Sean Connery, Michael Douglas – que seduziram ou foram seduzidos, que foram e são a fantasia de tantas mulheres muito mais jovens. Seu poder de sedução é multiplicado por sua genialidade. Ou por sua posição. Seu status. Há um lado afrodisíaco no sucesso, no reconhecimento. Os mais velhos costumam ter uma carreira mais consolidada e uma conta bancária bem mais polpuda.

Aquele jovem e desconhecido ator iniciante Reynaldo Giannechini de sete anos atrás em Laços de Família – aliás, o belo era um ator sofrível, e felizmente para ele ninguém se lembra mais de suas primeiras atuações – não teria se apaixonado por Marília Gabriela em 1998 se ela não fosse a Marília Gabriela. Antes de ser namorado, ele era fã, tiete da apresentadora e atriz. Era recém–formado em Direito, modelo, e queria ser ator. Tinha 24 anos a menos do que Marília. Aprendeu muito com ela. A relação dos dois terminou como muitas terminam, por desgaste, mesmo quando não há o peso da diferença da idade. Mesmo entre pessoas bem comuns.

Casos de amor verdadeiro freqüentemente envolvem um interesse saudável. É um misto de admiração, de vontade de participar do mundo do outro, conhecer os amigos. Muitas vezes, essa união acaba rendendo contatos no mundo profissional. Isso não quer dizer necessariamente que o mais novo esteja sendo oportunista, ou que não haja amor de verdade. Relacionamentos mais ousados, com maior risco, podem ter prazo de validade mais curto. É o preço que se paga pela intensidade na vida. Susana Vieira poderia ter escolhido um homem mais inteligente; ou poderia não ter assumido um compromisso público com alguém que acabara de conhecer. Mas, vamos pensar juntos. Há tantos exemplos de paixão cega (isso não seria um pleonasmo?), aquela que ignora todos os sinais da razão, toda a coerência...

Mulheres bonitas, sensuais e maduras despertam, sim, paixão em homens mais jovens e interessantes. E as cinqüentonas que já experimentaram na cama ou no chão o vigor selvagem de um rapaz no seu auge, entendem direitinho o entusiasmo de um amigo mais velho que de repente se deixa fisgar pelo frescor físico e mental de uma moça. Mesmo que, depois, venha o abandono.

Homens podem achar que não, mas mulheres conversam sobre pau. Pau grande, pequeno, grosso, fino, reto, torto. Falam dos paus que não precisam de manuseio nem de nenhum guindaste especial. Nem de álcool, nem de clima nem de Viagra. Homens que se excitam loucamente só de falar com você ao telefone, só de dizer oi, só de estar na sua frente, mesmo que ambos estejam completamente vestidos. Francamente, desculpem-me os coroas, isso não acontece com os homens mais velhos. Não acontece sobretudo com os maridos mais velhos nos longos casamentos.

Posso contar um segredo? Os homens que sentem urgência em levar uma mulher madura e inteira para cama não são os mais velhos. São os mais jovens. Os bonitos e inteligentes se sentem envaidecidos. Antes, por excesso de pudor ou autocrítica, muitas mulheres nem sequer ousavam. Agora, há quem experimente e recomende. Não para casar. Mas, para conhecer algo novo, surpreendente. Mesmo que seja uma roubada a longo prazo. Mesmo que ela se iluda achando que poderá manter o controle sobre os sentimentos.

É como aprender, depois dos 50 anos, a mergulhar de cilindro em águas transparentes ou se jogar num vôo de asa delta. Muda a respiração. A gravidade, o ambiente. Aceleram-se os batimentos cardíacos. O prazer ganha, por alguns momentos, uma outra dimensão. É efêmero, sim, e daí?

Se quisermos aprender com os gregos antigos sobre o assunto, é prudente recorrer a um discípulo de Sócrates, o filósofo hedonista Aristipo de Cirene (435 AC – 356 AC). Hedonismo vem do grego hedone – “prazer”. Na descrição da Wikipédia, o hedonismo é “a tendência a buscar o prazer imediato, individual, como única e possível forma de vida moral, evitando tudo o que possa ser desagradável”. Mas, atenção mulheres, para o detalhe que faz toda a diferença: Cirene defendia um controle racional sobre o prazer para que não se desenvolvesse uma dependência perniciosa. Para que não nos tornássemos reféns incondicionais dos prazeres. Se você quiser experimentar, vá com calma, desfrute, aproveite, ensine, aprenda, leia a bula, evite overdose. Um rapaz no seu auge faz muito bem à pele, aos cabelos, e ao ego. É melhor do que todos esses cremes importados que prometem milagres.

Se você já experimentou, conte pra gente.”

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Escrito por Fabio Hernandez - 25/05/2007

A charada da semana II

Uma pista: não é nenhuma das brasileiras.

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Escrito por Fabio Hernandez - 25/05/2007

Felizes de Mentirinha

Uma peça que vi tinha uma frase que jamais esqueci. Todo mundo era pateticamente infeliz. Mas fingiam que não. Uma personagem – uma mulher atormentada – uma hora gritava, com o sorriso falso dos desesperados: “Somos felizes da melhor maneira. Somos felizes de mentirinha.” Lembrei disso ao ler notícias sobre a suposta separação do casal do BB7. Dizem que por razões de contrato os dois continuarão a fingir que estão juntos. Apaixonados da melhor maneira. De mentirinha.

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Escrito por Fabio Hernandez - 25/05/2007

A celebridade mais chata do Brasil

A revista Época faz uma pesquisa em seu site sobre as celebridades mais malas. Luana Piovani nem entra no concurso. É fora de série em chatice. Quem ganha é Grazi, a caipira ingênua e bonita que virou estrela depois de um BBB. Suspeito que ela tenha ganhado antipatia do público depois que chutou o namorado também caipira para ficar com um bonitão da Globo que atende pelo estranho nome de Cauã. Conheço o cara apenas por algumas fotos, e Grazi bem que podia sugerir a ele que tirasse aquele bigode de Hitler.

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Escrito por Fabio Hernandez - 24/05/2007

Inveja dos orgasmos múltiplos

Vejo Caetano cantar. Boa banda. As músicas novas são basicamente rock. Um baiano amigo meu não gosta. Diz que Caetano sempre sonhou ser Mick Jagger. Caetano está bem fisicamente para seus mais de 60 anos. Corre e, ainda que desajeitamente, dança durante o espetáculo. Às vezes ofega. Fala menos do que costumava. Conta que deu entrevista sobre política a um blogue antes das eleições do ano passado. E confessa que um comentário de um internauta particularmente o pegou. Mais ou menos assim: “Vocês estão cansados de ver o Caetano falar sobre tudo? Duro mesmo é ouvi-lo cantar com seu violão”. A resposta que ele deu no show foi, logo depois da confissão, pegar o violão e cantar, sublimemente, um clássico da música brasileira. Uma canção imortalizada por Chico Alves, uma em que o autor afirma que nos mais momentos mais solitários tem um “um companheiro inseparável” na voz do seu “plangente violão”.

O melhor momento do show. Mas não o mais divertido. Ele cantou e repetiu no bis uma música inteligente e irreverente que fala de homens e mulheres. Caetano diz que não tem inveja da maternidade, da lactação, de nada das coisas das mulheres. Apenas tem inveja dos orgasmos múltiplos. Caetano falou aí em nome de todos os homens. Nós em geral não temos a mínima idéia do que sejam orgasmos múltiplos, se são realidade ou jogo de palavras, se são verdade ou dissimulação. Mas invejamos.

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Escrito por Fabio Hernandez - 24/05/2007

Capitu traiu ou foi traída?

Machado de Assis só não tem a dimensão de Dostoievski ou Balzac ou Dickens porque escreveu numa língua semimorta. O português. Sei lá por que, penso em Capitu. Capitu e Bentinho. Terá ela traído de fato Bentinho, e justo com o melhor amigo dele? Tudo que temos é a versão do narrador, Bentinho. Dá para acreditar nesta versão? Ou o adultério declarado pelo narrador em Dom Casmurro é fruto de uma mente que, como se diz no zen budismo, balança e se agita como um macaco? Quantas vezes a gente não imagina coisas – como traição – que no fundo são apenas ações do macaco que toma conta de nossa mente?

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Escrito por Fabio Hernandez - 21/05/2007

O teste da semana

Vamos ver se vocês conhecem minha alma. Que atriz eu acho definitivamente interessante:

a) Kate Hudson, pelo rosto de anjo malicioso e pelo corpo que faria um bispo chutar o poste ao cruzar com ela. Esplêndida em Quase Famosos, no papel de uma tiete chamada Penny Lane.

b) Sônia Braga, meio caída agora, mas imbatível pela maneira como deu alma a personagens de Jorge Amado. Em Tieta do Agreste estava selvamente erótica, seios quase à mostra em plena rua, pêlos debaixo do braço petulantemente não ceifados.

c) Kate Winslet, pelo espírito transgressor. Gorducha, parece exalar vontade de transar, transar e ainda transar. O Titanic só não afundou mais rápido por causa dela.

d) Susana Vieira, pela coragem em casar e desfilar com um troglodita ignaro para quem ela representa uma ascensão social. Nelson Rodrigues escreveu que o dinheiro compra até o amor verdadeiro.

e) Malu Mader, nossa desperate housewife, a deusa de sobrancelhas bastas que para infelicidade dos homens recusou nos bons tempos todos os convites da Playboy.

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Escrito por Fabio Hernandez - 21/05/2007

Preliminares. De novo

Por engano foi republicado quase que na íntegra um texto meu sobre preliminares. Vi os comentários, e me diverti. Uma leitora irada viu na repetição falta de assunto e disse que sou um coitado. De certa forma sou, mas não por causa disso. Outra, meio que solidária com meus pontos, confessou detestar sexo oral, mas disse que tem que fingir que gosta. Prometo não voltar tão cedo ao tema, mas eis meu ponto. O que for bom para os dois está bom. Um casal não funciona quando um dos dois faz coisas apenas para agradar o outro. Um cara que queira fazer sexo anal com a namorada, por exemplo. Se ela não gostar, e topar apenas porque acha que tem que topar, é ruim. Péssimo. O bom sexo é como aquele prato no restaurante que ambos dividem porque gostam muito dele. Boas preliminares, e este foi meu ponto, são aquelas que tanto o homem quanto a mulher apreciam.

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Escrito por Fabio Hernandez - 21/05/2007

Mulheres atraentes não gostam de mulheres atraentes

Termino de ler Casa de Encontros, romance mais recente de um bom escritor inglês, Martin Amis. Meio reacionário, mas um cara inteligente e provocador. É passado na Rússia sob ditadura. bolchevista. A trama é um triângulo amoroso: o narrador e seu irmão disputam uma mulher sexualmente ousada, muito à frente de seu tempo. Dois trechos me chamam a atenção. Num deles, o narrador diz para sua filha, uma mulher bonita: “Estou prestes a descrever uma jovem extraordinariamente atraente, e a experiência me diz que você não vai gostar, porque é isso o que você também é. E na minha experiência uma mulher atraente não quer nem ouvir falar de outra mulher atraente”.

Verdade? Acho que sim. E vocês?

O outro trecho que me tocou foi a descrição final do narrador sobre seu irmão e rival, Liev, que acabara de morrer. “Desde que eu nasci, você foi o defensor dos meus direitos. O defensor dos meus defeitos. Você se erguia como um deus – você cruzava o oceano, enchia o céu inteiro. E ainda sinto isso. Ter você como irmão era como ter cem irmãos. E ainda há de ser assim. Liev.”

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Escrito por Fabio Hernandez - 18/05/2007

Lugar de mulher é em casa ou no escritório?

Uma vez li um artigo que dizia que a zona erógena de mulher moderna é o escritório. Era uma piada, claro. Mas a questão está aí: teriam as mulheres exagerado na dedicação ao trabalho em prejuízo de tarefas como acompanhar de perto os filhos? Nos Estados Unidos há uma tendência de volta, por assim dizer, da mulher ao lar. Ou, pelo menos, a busca de mais equilíbrio. Trabalho em horário parcial, escritório em casa, esse tipo de recurso. Muitas executivas americanas, e tenho certeza de que é um sentimento comum a mulheres
de outras nacionalidades, se perguntam se o que parecia avanço não foi, de certa forma, um retrocesso. Está aberto o debate nesse nosso canto da blogosfera.

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Escrito por Fabio Hernandez - 18/05/2007

Cabelo branco é chique

Converso com um grupo de pessoas alemãs. Uma delas é especialista em moda. Ela pergunta se no Brasil começam a aparecer mulheres – antenadas -- de meia idade que não tingem o cabelo. Uma jornalista brasileira, que está a meu lado, grita que não. Ela tinge, claro. A alemã diz que vai ficando chique, na Alemanha, a mulher deixar o cabelo do jeito que é. Por questões de saúde (tintura faz mal) e por uma espécie de volta à natureza e à vida simples. Minha amiga diz que espera que essa moda só chegue ao Brasil depois que ela estiver morta. Quanto a mim: gosto de mulheres sem artificialismos. Do jeito que são. Não há perfume feminino melhor do que o cheiro da mulher mesmo. Contei que Napoleão pedia a Josefina para não tomar banho quando ele estava voltando de alguma campanha? Era para sentir seu cheiro. Mas enfim: já aprendi que as mulheres se interessam muito mais pela avaliação de outras mulheres (e delas mesmas) do que pelas avaliações masculinas.

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