<?xml version='1.0' encoding='ISO-8859-1'?>
<rss version='2.0'>
  <channel>
    <title>O Homem Sincero</title>
    <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
    <description>O Homem Sincero</description>
    <docs>http://backend.userland.com/rss</docs>
    <item>
      <title>Balzáqueas22: O casal e o sexo“Na cama está todo o casamento.”Balzac</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Thu, 15 Jan 2009 20:07:17 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas22: O casal e o sexo&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Na cama está todo o casamento.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Pessoas e lugares que passaramUma passagem de um livro me comoveu. O livro se chama Entre Nós. São c...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Thu, 15 Jan 2009 19:54:58 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Pessoas e lugares que passaram&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma passagem de um livro me comoveu. O livro se chama Entre Nós. São conversas de Philiip Roth com outros escritores. Roth, com sua exuberância estilística, com sua lubricidade refinada, com sua habilidade rara de ser profundo sem ser tedioso, é um dos meus escritores prediletos. O sexo governa sua obra. Seus personagens vivem e morrem pelo sexo. O sentido da vida, em Roth, é a cópula. (Uma vez escrevi um conto para a Playboy e o editor me solicitou, delicadamente, que trocasse a palavra cópula. Convenci-o a mantê-la com o argumento de que há alguma coisa de selvagem, primitivo em cópula.)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Antes que me esqueça. As conversas de Roth são uma formidável lição para quem faz entrevistas. O preparo dele (sabe tudo sobre a obra dos entrevistados), a agudeza das perguntas, a maneira como aproveita as respostas para seguir adiante. A maneira como demonstra sua admiração sem jamais ficar de joelhos e bajular. As escolas de jornalismo deveriam exigir que seus alunos lessem Entre Nós para aprender sobre a arte de entrevistar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas a passagem de que falei. Ela vem de uma conversa de Roth com outro gênio, Isaac Bashevis Singer, de origem judaica sobre ele. São poucos os escritores tão exímios em contar histórias como Singer, já morto. Roth e Singer têm muito em comum além de serem judeus. Também o sexo governa o universo literário de Singer. Separa-os um Nobel, merecidamente conquistado por Singer e injustamente negado a Roth.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Você gosta de ler e quer recomendações? Compre o que puder desses dois, eu diria.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Singer nasceu na Polônia, onde a maior parte de sua obra é passada. De lá fugiu para os Estados Unidos antes que o nazismo fizesse estragos monstruosos. Conta com graça que, ao chegar à América, foi a uma festa  em que imaginava que o idioma seria o iídiche. Ele não falava nada de inglês ainda. Mas. Mas só se conversou em inglês ali. A primeira palavra que ouviu e aprendeu, um tributo à frivolidade e à gula, foi “delicious”. Delicioso. O que se comia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Roth pergunta a Singer, no trecho que me tocou, como ele conseguiu escrever de forma tão pungente sobre suas raízes depois de abandoná-las. Singer conta que logo que partiu a Polônia lhe parecia muito distante. Mas o tempo a trouxe para dentro dele. “Quando morre uma pessoa que é próxima a você, nas primeiras semanas depois da morte essa pessoa fica tão distante de você quanto é possível se estar; é só com o passar dos anos que ela se torna mais próxima, e aí chega um momento em que você está quase vivendo com ela. Foi o que aconteceu comigo. A Polônia, a vida judaica na Polônia, está mais próxima de mim agora do que estava naquela época.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esta a passagem que me impressionou.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Penso nas pessoas queridas que perdi, nos amigos a amores tragados no correr dos longos dias, e vejo o quanto – muito -- que sobrevive deles no universo que existe dentro de mim &lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas21: A Mulher e as Nações&quot;Quem pode governar uma mulher pode governar uma nação.&quot;Balzac</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sun, 11 Jan 2009 11:47:12 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas21: A Mulher e as Nações&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Quem pode governar uma mulher pode governar uma nação.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>“Estou feliz, mas estou triste”Thunder e  Pedro estavam disputando corridas de Mario Kart no Wii. Er...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sun, 11 Jan 2009 11:44:22 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;“Estou feliz, mas estou triste”&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Thunder e  Pedro estavam disputando corridas de Mario Kart no Wii. Eram velhos amigos, e estavam no apartamento de Pedro.. Entre todos os circuitos do Mario Kart aquele de que mais gostavam era a Rainbow Road, pela beleza extraordinária da paisagem e pela habilidade necessária para percorrer o caminho. A amizade entre os dois lembrava a definição clássica e sublime de Montaigne para os amigos: uma costura entre almas tão forte que não se vê a linha. Montaigne escreveu suas palavras eternas sobre a amizade nos seus Ensaios, e a razão era homenagear um amigo morto, Lá Boètie, autor de uma pequena grande obra chamada Tratato sobre a Servidão Voluntária. Tão forte nas adversidades, com tamanho preparo para enfrentar “o perpétuo vai-e-vém das elevações e quedas”, para usar uma expressão de Sêneca, Montaigne admitiu com pungência que a morte de seu amigo o atirou numa noite longa, fria e escura.&lt;br/&gt;Thunder e Pedro eram devotos de Montaigne e seus Ensaios, bem como de A Mulher do Lado de Truffaut, Os Maias de Eça, O Beijo de Klimt, In My Life dos Beatles e o cheeseburger do Hamburguinho. Também eram devotos de Rivelino e do Corinthians. Achavam que Rivelino tinha sido melhor que Pelé, e eram capazes de passar horas na defesa apaixonada dessa tese contra todas as estatísticas. &lt;br/&gt;Pedro em breve partiria para uma demorada viagem.&lt;br/&gt;“Pedro”, disse Thunder em sua voz estentórea de Fred Flintstone depois de bater mais uma vez o amigo na Rainbow Road.&lt;br/&gt;“Hmmm.”&lt;br/&gt;“Estou feliz mas estou triste”, disse Thunder.&lt;br/&gt;Lol. Pedro riu. Tirou um caderninho de anotações do bolso e escreveu a frase de Thunder.&lt;br/&gt;“Um dia vou usar essa frase em alguma coisa que escrever”, disse Pedro. “Para que não pareça imitação, vou inverter as coisas. Vou dizer: estou triste, mas estou feliz.”&lt;br/&gt;Iam correr agora na Moonview Highway, outra prova exigente do Mario Kart. E outra paisagem deslumbrante: uma corrida noturna, cheia de luzes na escuridão desafiadora, e uma lua que parecia ao mesmo tempo zombar dos pilotos desastrados e saudar os hábeis.&lt;br/&gt;“Thunder.”&lt;br/&gt;“Hmmm.”&lt;br/&gt;“Sua frase. Me lembrou aquele ensaio do Montaigne. Como uma mesma coisa nos faz rir e chorar. É o capítulo 38, se não me engano.”&lt;br/&gt;“38. Acertou. É um dos meus prediletos.”&lt;br/&gt;Terminada a prova na Moonview, com mais uma vitória de Thunder, Pedro se levantou e foi apanhar seu exemplar dos Ensaios. Queria rever uma passagem específica do capítulo 38. Mas antes fez uma reflexão sobre Montaigne e as mulheres.&lt;br/&gt;“Thunder.”&lt;br/&gt;“Hmmm.”&lt;br/&gt;“Você já deu Montaigne para alguma namorada ler?”&lt;br/&gt;“Nem me fale”, disse Thunder. “Foi péssimo. Ela abominou as coisas que o Montaigne escreveu sobre as mulheres. Um machista idiota e arrogante. Foi como ela chamou o Montaigne.”&lt;br/&gt;“Eu ia dizer exatamente isso. Nunca mostre Montaigne para sua mulher.”&lt;br/&gt;Pedro abriu na página cujo trecho queria ler.&lt;br/&gt;“Aqui, Thunder”, apontou com os dedos para o parágrafo que buscara e encontrara. Pediu a Thunder que lesse em voz alta em seu vozeirão.&lt;br/&gt;“Nenhum de nós pode vangloriar-se de não ter, não obstante o prazer que auferir de uma bela viagem, sentido faltar-lhe a coragem de deixar família e amigos”, escreveu Montaigne. “E, se não chegou a derramar lágrimas de verdade, não foi sem um aperto no coração que pôs o pé no estribo.”&lt;br/&gt;“É exatamente como me sinto diante da viagem que eu vou fazer”, disse Pedro. “Pé no estribo. É uma imagem e tanto, não é?”&lt;br/&gt;“Pedro”, disse Thunder. “Um amigo ausente. Isso dói. Não temos tantos amigos assim de verdade.”&lt;br/&gt;Thunder estava com os olhos úmidos.&lt;br/&gt;“Vou sentir sua falta”, disse Thunder em seu vozeirão momentaneamente enfraquecido.&lt;br/&gt;“Thunder”, disse Pedro.&lt;br/&gt;“Uma coisa eu te garanto. Vou treinar Mario Kart direto enquanto estiver fora. Não agüento mais perder para você.”&lt;br/&gt;E então partiram para mais uma prova na Rainbow Road.&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Fique com quem faz você rirTio Fábio, um falecido homem sábio do interior, Deus o tenha, sempre gost...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 31 Dec 2008 00:10:05 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Fique com quem faz você rir&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tio Fábio, um falecido homem sábio do interior, Deus o tenha, sempre gostou de circo. Um dia, quando eu ainda era garoto, ele me levou ao circo. E apontou, com seus dedos amarelados pelo cigarro, o palhaço que me fizera gargalhar. ‘‘Pense nesse palhaço quando for escolher as pessoas para ter ao seu lado. Amigos, namoradas. É vital ter por perto pessoas que sorriam e nos façam sorrir. ’’&lt;br/&gt;(Tio Fábio não era homem apenas de teoria. Na vida prática, tinha, como o palhaço daquele circo tão distante no tempo, uma notável capacidade de fazer os outros rirem.)&lt;br/&gt;	Então reflito sobre os relacionamentos amorosos. Eles são tão mais leves, tão mais gostosos quando temos conosco alguém que traga a luz exuberante dos sorrisos genuínos. (Digo genuínos porque não existe nada pior que o sorriso hipócrita e fabricado, como os dos políticos.) E os relacionamentos podem ser um tormento quando quem está ao nosso lado não sabe rir. O ideal é termos uma palhaça como namorada, mulher, manteúda ou que você quiser.&lt;br/&gt;	O sorriso é uma atitude. Mostra, quase sempre, um espírito superior, de gente capaz de lidar, com dignidade e bravura, com as adversidades da vida. (Jamais vi uma foto do Dalai Lama em que ele não aparecesse sorrindo. Paz genuína interior ou dissimulação? Alguém tem um palpite?) Assim como o rosto fechado e sombrio é quase sempre sinônimo de pessoas tomadas pelo síndrome da vítima, a compulsão de pôr a culpa de tudo nos outros, a evasão total e descarada de responsabilidade. É aquela história: o mundo me persegue. Ninguém me compreende. Deus criou tudo apenas para que eu fosse sacaneado. Para estas pessoas, Sartre criou a frase definitiva: o inferno são os outros.&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;	O sorriso é, repito, uma atitude. E também uma virtude. Como toda virtude, tem que ser cultivado. São absolutamente excepcionais as pessoas cuja alma já nasce sorridente. Para nós, outros, os chamados normais, sorrir para a vida é fruto de um esforço cotidiano, um treinamento incessante para não ver os fatos sob ângulos negativos.&lt;br/&gt;	Um dos livros mais admirados por Tio Fábio (quantas vezes ele tentou fazer-me ler) traz uma passagem de Sêneca, filósofo estóico de quase 2000 anos atrás. Uma passagem sublinhada por Tio Fábio fala de um filósofo que perdeu todos os seus bens no naufrágio. A reação do sábio: ‘‘É que o destino quis que eu filosofasse mais desembaraçadamente. ’’ (Admiro a disciplina de Tio Fábio de ler livros sempre acompanhado de lápis e caneta. Tentei algumas vezes, mas tropecei em minha completa falta de método. Quem sabe um dia.)&lt;br/&gt;	Cercar-se de palhaços foi o conselho que Tio Fábio me deu há muitos anos. Nem sempre fui bem-sucedido. Ou nem sempre dei a devida atenção a esse conselho. Sofri e levei sofrimento e aqui cometo a ousadia de vir fazer um acréscimo à frase de Tio Fábio. Não basta se cercar de palhaços. É preciso que sejamos palhaços também. Receber risadas é bonito, mas mais bonito ainda é dá-las.&lt;br/&gt;	Você sabe que uma relação está morta quando se acabam os risos. Um romance saudável tem a estridência irresistível e espontânea das gargalhadas. Pode acontecer que os dois tenham se esquecido de como dar risada. E então vale a pena o esforço de se lembrar. Mas, se você tentar devolver a alegria a uma relação que se tornou pesada e não conseguir nada além de queixumes e lamúrias, é melhor desistir. Não do sorriso, nem da alegria e do amor, mas da relação. Só continue se você gostar do sofrimento. Para quem acredita que o propósito da vida é a felicidade, não há saída se não respirar fundo e cair fora, com um sorriso de preferência.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas21: O silêncio do infiel&quot;Um marido, como um governo, nunca deve confessar a culpa.&quot;Balzac</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Thu, 25 Dec 2008 14:36:27 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas21: O silêncio do infiel&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Um marido, como um governo, nunca deve confessar a culpa.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas20: O amor e a aversão&quot;O homem vai da aversão ao amor. Mas, quando começou por amar e cheg...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 24 Dec 2008 16:04:44 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas20: O amor e a aversão&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;O homem vai da aversão ao amor. Mas, quando começou por amar e chega à aversão,  nunca mais volta ao amor.&quot;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>O presente que não deiO mundo basicamente de divide entre os que dão e os que recebem presentes. Eu ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 24 Dec 2008 14:48:04 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O presente que não dei&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O mundo basicamente de divide entre os que dão e os que recebem presentes. Eu estou na primeira turma. Poucas coisas me trazem tanto prazer quanto acertar num presente a alguém querido. É uma questão de vocação. Gosto muito mais de dar do que de receber presente. &lt;br/&gt;E no entanto. E no entanto, quando olho para trás e examino minha relação com os presentes, não é algum que dei que me chama a atenção mais que os outros. É um que não dei. E aqui peço licença para uma digressão pugilística. Uma vez li uma matéria numa revista americana sobre um grande lutador. Ele tinha dezenas de vitórias, e apenas duas derrotas. Mas foram derrotas épicas, disputas que entram na lista dos maiores combates do boxe. O articulista escrever que paradoxalmente aquele lutador – chamemos pelo nome, Thomas Hearns – seria lembrado não pelas vitórias mas pelas derrotas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É mais ou menos o que acontece comigo em relação aos presentes. O que não dei é o que não sai e não sairá jamais de minha mente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Meu pai. Meu pai, que jamais deixara de trabalhar por causa de doença, um homem vigoroso e exuberante, um certo dia se queixou de dores. Uma bateria de exames mostrou que o problema era aparentemente simples: pedras na vesícula. Uma cirurgia rápida, uns poucos dias de recuperação no hospital e pronto. De volta à vida normal.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A cirurgia foi marcada para uma semana em que eu, um repórter iniciante, faria uma cobertura de um encontro de produtores de petróleo em Quito, no Equador. Tudo parecia banal na questão médica de meu pai, e então embarquei. (Vou poupar você da descrição das dores de cabeça pela perda da mala na conexão que fiz a caminho de Quito.)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Comprei uns poucos presentes nas raras horas vagas que tive em Quito. Mas não para meu pai. Tento entender as razões, e acho que jamais consegui dar presentes a meu pai que eu julgasse dignos dele. Meu pai amava livros. Mas qual livro dar para ele?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na volta, encontrei meu pai no hospital. Minha mãe, delicadamente, me perguntou o que eu trouxera para ele. Nada. O que parecia ser um problema corriqueiro se transformou num pesadelo. Em pouco tempo meu pai foi fisicamente devastado – mas não mentalmente. Como Sócrates, que confortou seus discípulos na hora de beber a cicuta que o mataria, meu pai nos consolou em sua morte. Deu-nos, na prática, um exemplo sublime de força na adversidade. De aceitação dos reveses. Montaigne escreveu que nada mostra com tanta clareza a estatura de um homem como a sua atitude perante a morte. Pela medição de Montaigne, meu pai foi um gigante.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E eu. E eu. Eu não trouxe nada a meu pai de Quito. E ele estava num leito de hospital. Mas. Mas tudo parecia tão simples. Foi a última oportunidade que tive de dar um presente a meu pai. Um mentiria se dissesse que não carrego um sentimento de culpa nestes anos todos. Uma sensação. Para usar uma frase de um conto de Machado de Assis que li obsesivamente numa fase de minha vida, Um Capitão de Voluntários, uma sensação que não é grande senão por me fazer sentir pequeno.   &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Presentes. Gosto de dá-los. Muito. Mas o que não dei é que jamais esqueci.&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 20- A Mulher que Ama Demais“No amor, é certo que se dermos demasiado não receberemos bast...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 22 Dec 2008 18:35:19 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 20- A Mulher que Ama Demais&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“No amor, é certo que se dermos demasiado não receberemos bastante. A mulher que ama mais do que é amada há de necessariamente ser tiranizada. O amor durável é o que tem sempre as forças dos dois seres em equilíbrio.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Madonna“Faltou música antiga”, disse Cris a Pedro. Ela estava falando do show de Madonna. Cris usa u...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 22 Dec 2008 13:20:26 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Madonna&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Faltou música antiga”, disse Cris a Pedro. Ela estava falando do show de Madonna. Cris usa um espanhol sonoro para se definir como “energética”, e de fato é. Foram duas horas em pé à espera de uma Madonna extravagantemente atrasada para quem é uma profissional como ela é. E depois mais uma hora e meia em pé no espetáculo. E Cris dançou o tempo todo. &lt;br/&gt;“Os artistas consagrados vivem um drama na hora de montar sua lista de músicas”, disse Pedro. “Eles querem cantar coisas novas. Mostrar que ainda criam, inovam, fazem hits. Mas o público só quer os clássicos. Agradar o público ou a si próprios é o dilema dos caras que fazem sucesso há muito tempo. É duro achar um ponto de equilíbrio aí.”&lt;br/&gt;Claro que o ponto alto do show de Madonna, para o público, foi um clássico. Like a Prayer. Life is a mistery/Everybody must stand alone. Verdadeiro este verso, pensou Pedro. Todo mundo tem que se virar sozinho na vida. &lt;br/&gt;Sinatra dizia que abominava cantar Strangers in the Night. Dylan tem uma maneira peculiar de não se entediar cantando sempre as mesmas músicas: muda tudo. Você tem extrema dificuldade em reconhecer Dylan cantando mesmo um clássico do porte de Like a Rolling Stone.&lt;br/&gt;Um episódio de Simpsons é brilhante em mostrar a vontade do público em oposição à dos astros. Uma banda antig aparece na cidade e vai fazer um show. O cantor diz que a banda lançara um novo disco. O público vaia e pede a música da banda que mais fez sucesso. É cantada, mas mal se inicia as pessoas exigem que se vá direto ao refrão. Lol.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Ela é abusada”, diz Cris. Madonna é uma das maiores inspirações de Cris, ao lado da Carrie de Sex and The City. “ Tem atitude. Olha o que ela faz com a guitarra.” Madonna acabara de passar a guitarra lascivamente pelo meio das pernas. Madonna dá um beijo na boca de uma das dançarinas, mas é uma ação de marketing já desgastada. Zero em erotismo. Ela aparece mais do que o habitual, no show, com diferentes guitarras. Ligadas ou não? O certo é que há por trás um guitarrista profissional. Com a guitarra Madonna lembra um pouco Courtney Love. As canções estão com um ar mais de rock do que de costume. Borderline, uma das raras músicas antigas cantadas, ganha ares quase de punk.&lt;br/&gt;“A guitarra é uma forma elegante de ela dançar menos”, diz Pedro a Cris sem qualquer evidência. “Ela já tem cinqüenta anos. Não dá para dançar que nem você, horas sem parar.”&lt;br/&gt;“Ela parece ter envelhecido muito desde a última turnê”, diz Cris. “Tá muito magra. Olha as pernas finas. Ela sempre foi gostosa.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É uma superprodução. O uso primoroso dos telões no palco faz do concerto mais que um show de música.  Recursos digitais fazem com que Madonna virtualmente dance com Justin Timberlake. Mensagens reliossas de paz aparecem uma hora nos telões, oriundas de diversas origem. As coisas de sempre. Não alimente o ódio. Não busque vingança. Faça com os outros o que gostaria que fizessem com você. Será que ela tratou o divórcio com o Guy Ritchie, o cineasta inglês, de acordo com aquelas mensagens?, pensou Pedro. Cris conta a Pedro qiue Madonna não deixava Ritchie comer gordura em casa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Madonna é um fenômeno em durabilidade num universo pop que cria e destrói em dias, semanas. Ela é manchete há quase trinta anos. &lt;br/&gt;“Ela não tem voz de diva”, diz Cris. “Mas é uma inovadora o tempo todo.” Madonna não fez o que tanta gente consagrada faz: imitar a si própria. Ela parece gostar do risco da novidade, e este é um dos maiores méritos que um artista pode ter. A tentação de repetir fórmulas que deram certo é enorme. Os Stones a partir de um certo momento passaram a imitar Os Stones. Ao contrário dos Beatles. Do primeiro ao último disco os Beatles inovaram, avançaram, e por isso viraram referência em reinvenção incessante na comunidade musical.&lt;br/&gt;Aos inovadores se perdoa muita coisa. Incluído o fato de colocar menos músicas antigas num concerto. Ou mesmo atrasar duas horas. A mesma platéia que vaiava a espera aplaudiu Madonna freneticamente quando ela entrou afinal no palco.&lt;br/&gt;“A Madonna pode”, diz Cris. “Ela é abusada. Ela pode muito.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 19: A Mulher Infiel &quot;Ainda não foi possível decidir se a mulher é levada a tornar-se infi...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Tue, 16 Dec 2008 23:55:17 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 19: A Mulher Infiel&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &quot;Ainda não foi possível decidir se a mulher é levada a tornar-se infiel mais por não conseguir se refrear do que pela liberdade que encontra para a traição.&quot;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>“Uma mulher deve despir o pudor no momento em que despe a saia”“Tenho que voltar a ler Montaigne”, d...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Tue, 16 Dec 2008 20:21:59 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;“Uma mulher deve despir o pudor no momento em que despe a saia”&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Tenho que voltar a ler Montaigne”, disse Pedro a Cris. “É o melhor calmante que encontrei na vida.”&lt;br/&gt;Pedro tinha em sua cabeceira os Ensaios de Montaigne, o grande e tardio filósofo estóico do século XVII. Os escritos de Montaigne eram para Pedro uma formidável inspiração para lidar com as adversidades O sábio, segundo Montaigne, é quem lida com serenidade com o perpétuo vai-e-vém de elevações e quedas na vida. A obra de Montaigne é rica em exemplos de coragem nos tropeços. Pedro gostava de abrir os Ensaios ao acaso, e ler até dormir as páginas que encontrava sem programar. Sem uma razão objetiva, deixara de fazer isso por meses seguidos, e o resultado fora a perda parcial de sossego. &lt;br/&gt;Eram dois os escritores que Pedro gostava de ler ao acaso da página aberta sem intenção. Montaigne e Proust. As pessoas, achava Pedro, se assustam com os sete tomos de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust. Algumas sonham a vida inteira em ler essa pirâmide literária, mas se intimidam pelo número de degraus. Proust, como a mulher bonita, fascina e ao mesmo tempo intimida as pessoas. Se elas soubessem que se pode ler Proust em pílulas, teriam a chance de ler páginas de beleza avassaladora, pensava Pedro.&lt;br/&gt;“Nenhum Montaigne me tiraria do Vargas Llosa”, disse Cris. Ela lera com devoção Travessuras da Menina Má. Adiara a leitura das páginas finais como quem guarda o pedaço derradeiro de um prato especial. Pedro fazia o mesmo com certos livros. Era uma pena terminá-los.&lt;br/&gt;Pedro abriu seu exemplar de Montaigne.Várias passagens sublinhadas, ou por lápis ou por caneta. Mas foi uma passagem intocada que lhe chamou a atenção. Era uma frase atribuída à nora de Pitágoras, o gênio extravagante da matemática. “Uma mulher deve despir seu pudor no momento em que tira a saia, e só voltar a usá-lo quando a vestir de novo.” Lol.&lt;br/&gt;A nora de Pitágoras por certo não tinha a inteligência exuberante e inovadora do genro, mas era sexualmente interessante e avançada, pensou Pedro. Mulheres dos nossos tempos teriam a aprender com ela.&lt;br/&gt;Cris olhou para o livro amado nas mãos de Pedro. Pensou na possibilidade de um dia tirar uma página dele. Riu sozinha. Uma única página. Não duas, não três. Uma só. Uma amiga lhe contara que fora essa a vingança de uma amiga. O marido dela era um cara que adorava livros, e se orgulhava de sua biblioteca. Traiu-a. Ela, meticulosa e friamente, tirou uma página de cada livro da biblioteca. A vingança perfeita.&lt;br/&gt;“Perdi alguma piada?”, perguntou Pedro ao ver Cris rir.&lt;br/&gt;“Não. Você não perdeu piada. Mas cuidado para não perder página.”&lt;br/&gt;“Perder o quê?”&lt;br/&gt;“Esquece”, ela disse. Cotinuava com o sorriso em seus lábios carnudos.&lt;br/&gt;“Hmmmm?”&lt;br/&gt;“Pedro. Olha. Da próxima vez presta mais atenção no que eu digo.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas18- A forma éterea de uma jovem e bela mulher&quot;Você despertou em mim várias formas distinta...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sat, 6 Dec 2008 12:02:47 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas18- A forma éterea de uma jovem e bela mulher&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Você despertou em mim várias formas distintas de curiosidade e é culpada de uma adorável coqueteria que não cabe a mim condenar. Você não avalia como é perigoso para uma imaginação vívida e um coração incompreendido vislumbrar a forma etérea de uma jovem e bela mulher.&quot;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;De Balzac, para Eveline Hanska</description>
    </item>
    <item>
      <title>Posição ridícula?Hora de dormir. Escolho um entre os vários livros que estou lendo. Férias de Natal,...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Fri, 5 Dec 2008 15:37:28 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Posição ridícula?&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;Hora de dormir. Escolho um entre os vários livros que estou lendo. Férias de Natal, de Somerset Maughan. Bom entretenimento. Maughan era um contador de histórias notável.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No romance, passado quando a União Soviética parecia florescente, Simon é um jovem inglês devotado à causa comunista. Despreza  o modo de vida burguês. Me fixo numa passagem, e paro por uns momentos para refletir. Simon diz para seu amigo Charley, um ingênuo: &quot;Chesterfield disse a palavra definitiva a respeito das relações sexuais: o prazer é momentâneo, a posição é ridícula e a despesa, condenável.&quot;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Chesterfield foi um político e pensador inglês do século XVII. Grande frasista. Uma de suas melhores tiradas diz respeito aos homens e à moda. “É um absurdo um homem se preocupar com as roupas que vai vestir, mas mais absurdo ainda é não se preocupar”, disse ele. No que diz respeito ao sexo, ele não  foi original. Marco Aurélio, o imperador filósofo dos romanos, disse coisa parecida. Sexo, segundo Marco Aurélio, é troca de fluidos em posição ridícula.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fecho o livro e os olhos. Penso por um instante na posição do amor, e me vejo na dúvida sobre se é ridícula ou não. Rio comigo mesmo, e tento dormir.</description>
    </item>
    <item>
      <title>MãeMãe. Me espera. Tô indo para longe, para uma terra cuja língua você jamais entendeu, e não vai se...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 3 Dec 2008 23:08:55 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Mãe&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mãe. Me espera. Tô indo para longe, para uma terra cuja língua você jamais entendeu, e não vai ser pouco o tempo que vou ficar lá. Mas me espera.&lt;br/&gt;Mãe. Da outra vez que fui para lá você colocou uma lata de Nescau na minha mala sem que eu soubesse. Você me esperou daquela vez. Me espera agora de novo.&lt;br/&gt;Mãe. Me ocorre sei lá por que a melodia chorosa de uma canção chamada Never Going Home Anymore, da trilha de Butch Cassidy. Mãe. Por que essa música se instalou no meu ouvido?&lt;br/&gt;Mãe. Eu escrevi tanto sobre o papai, e tão pouco sobre você. Me sinto culpado e injusto, mas sei que você vai me compreender e perdoar. Você também sempre falou muito mais do papai do que de você. Mãe. Sua humildade é majestosa.&lt;br/&gt;Mãe. Me espera. Quero reencontrar seus olhos. Nos momentos de apuros eles sempre nos confortaram, a meus irmãos e a mim.&lt;br/&gt;Mãe. Me explica. Por que o tempo destrói tão rápido o mundo em que somos felizes?&lt;br/&gt;Mãe. Você foi a rainha do nosso mundo. A rainha mais generosa que jamais existiu. Todos os seus súditos, para você, eram bonitos e inteligentes. Todos também tinham bom caráter. Ninguém era desleal, ninguém traía, ninguém fazia nada feio no reino em que você, com o laquê que dava a seus cabelos ares de coroa, era a senhora suprema. Porque a seus olhos todos eram iguais a você.&lt;br/&gt;Mãe. Uma das razões pelas quais eu detestaria viver outra vida além dessa é que não suporto a idéia de ter outra mãe que não você. Como um irmão escreveu de outro no livro do Martin Amis, você preencheu todos os meus céus, mãe.&lt;br/&gt;Mãe. Não vou mentir. Vou demorar. Mas me espera. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Você prefere a calma ou a intensidade no amor?Cris e Pedro tinham acabado de sair do novo filme de W...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 26 Nov 2008 15:51:14 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Você prefere a calma ou a intensidade no amor?&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris e Pedro tinham acabado de sair do novo filme de Woody Allen, Vicky e Cristina. Não era um grande Woody Allen, mas Woody Allen é sempre Woody Allen. Mesmo quando faz um filme menor, vale a pena ver. As obras supremas de Woody Allen ficaram lá para trás. Annie Hall primeiro, depois Manhattan. (Pena que Mariel Hemingway, a garota inocente de Manhattan, tenha envelhecido. O tempo poderia ter parado para ela, para que jamais perdesse os olhos ensolaradamente sonhadores.) O último grande Woody Allen foi A Era do Rádio.&lt;br/&gt;Era mais ou menos isso que Pedro falava depois da sessão, enquanto se dirigiam à Lanchonete da Cidade para comer um sanduíche que leva o nome estranho de bombom.&lt;br/&gt;“O Contardo deu uma pancada na frase essencial da Scarlett”, disse Cris. Ela falava de Scarlett Johanson, que é a Cristina do filme. “Aquela em que ela afirma que não sabe o que quer, mas  que tem clareza no que não quer. Vou te dar o artigo dele pra ler.”&lt;br/&gt;“Qual o ponto dele?&lt;br/&gt;“Ele disse que é uma coisa muito infantil. Quem diz que sabe o que não quer se fecha a novas experiências. Pra ele é uma frase covarde e medrosa.”&lt;br/&gt;“Você concorda?”&lt;br/&gt;“Vou te dizer. Aquela frase eu uso com muita freqüência. Eu sei o que não quero”, disse Cris.&lt;br/&gt;“O filme trata exatamente disso”, disse Pedro. “Do medo. Se você tem que optar entre uma história de amor morna que te traga segurança ou uma paixão que te transporte ao céu e ao abismo, o que você faz?”&lt;br/&gt;“Uma coisa morna, nem pensar”, disse Cris. “Sem intensidade você não tem nada no amor.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No filme,  Javier Bardem é um pintor espanhol que vive em Barcelona e faz telas incompreensíveis, mas que desfruta de grande prestígio entre as mulheres. Vem de uma separação atormentada de Penélope Cruz, e está querendo levar para a cama Vicky e Cristina. São duas garotas americanas que foram passar as férias de verão em Barcelona, onde conhecem Javier, a cujo encanto sucumbem.&lt;br/&gt;Javier e Penélope são o símbolo da paixão neurótica. Não funciona. Vicky tem um noivo americano, Doug, um cara certinho e bem-sucedido, mas pelo qual ela não é apaixonada. Vicky e Doug representam a mornidão amorosa. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A tempestade ou a calmaria, o que dá mais certo num caso de amor? É possível um amor ser intenso sem ser neurótico? Uma relação pode ser calma sem ser enfadonha? Esta a maior discussão que o filme traz.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Aquele beijo”, diz Cris.&lt;br/&gt;Ela se referia ao comentado beijo de Penélope Cruz em Scarlett Johanson. As duas acabam formando um triângulo fracassado com o pintor. &lt;br/&gt;“Achei forçado”, diz ela. “Elas não pareceram gostar de ter se beijado no filme.”&lt;br/&gt;“Concordo. O triângulo ali parecia apenas marketing. Uma mulher ciumenta como a Penélope é no filme jamais aceitaria um triângulo amoroso. A mulher ciumenta morre se vê seu homem com outra mulher”, diz Pedro.&lt;br/&gt;“Você, Pedro. Quem você preferiu, a Penélope ou a Scarlet?”&lt;br/&gt;“A Penélope é muito exagerada. Sou mais a Scarlet.”&lt;br/&gt;“Por que os homens são fascinados pelas loiras?”, disse Cris. “É uma coisa tão ... tão infantil.”&lt;br/&gt;“Não sou fascinado pelas loiras”, disse Pedro. “Só falei que prefiro a Scarlet à Penelope.”&lt;br/&gt;“Pedro.”&lt;br/&gt;“Cris.”&lt;br/&gt;“Detesto coisas mornas.”&lt;br/&gt;“Eu também.”&lt;br/&gt;E então, estabelecido o pacto antigelo, dedicaram-se ao sanduíche glorioso da Lanchonete da Cidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 17&quot;Numa história de amor, é preciso trair para não ser traído.&quot;Balzac</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 19 Nov 2008 14:35:25 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 17&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Numa história de amor, é preciso trair para não ser traído.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Toda mulher sonha em fornecer a seu homem uma história digna de virar um romanceHá livros que é uma ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 19 Nov 2008 14:12:35 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Toda mulher sonha em fornecer a seu homem uma história digna de virar um romance&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Há livros que é uma alegria fechar, lidas ou não todas as páginas. Não lidas, de preferência.&lt;br/&gt;São os livros ruins. Ou desnecessários. Você entra numa livraria como a Culrura e vê aquelas pilhas de livros. Alguns podem ficar impressionados. A mim, o que ocorre é: Deus, quantos livros inúteis há nesta imensidão de papel, nesta orgia literária.. Quantas árvores poderiam não ser sacrificadas se fosse feita uma triagem mais rigorosa entre os autores.&lt;br/&gt;Sou um escritor barato. Há um livro meu publicado. Tenho a sensação de que a humanidade bem poderia passar sem minhas páginas baratas. Algumas árvores falecidas em meu nome talvez me agradecessem se eu fosse mais severo em relação a mim mesmo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Há também livros que é uma tristeza fechar, tamanha a beleza e a sabedoria do conteúdo. Tirá-los de seu criado mudo, uma vez lidos, é como despedir-se de alguém querido numa estação de trem. Dói. Você acaba de lê-los e sabe que jamais será o mesmo. Alguma coisa em você mudou, e para melhor. São os livros necessários, em oposição aos inúteis. Alguns são imprescindíveis. Os Maias, por exemplo. Aquele final. Os dois grandes amigos, Carlos e Ega, vagando pelas ruas tristes de Lisboa, anos depois da ruína de seus sonhos de jovens. “Falhamos a vida”, diz um ao outro. “Mas a vida que planejamos nunca é a que ocorre”, diz o outro. Estou escrevendo de memória. Sem precisão. O sentido é este, de toda forma. Nunca fui o mesmo depois de Os Maias, para ficar num caso.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris, naquela noite úmida de primavera, estava se despedindo com tristeza de um livro que para ela era indispensável. Travessuras da Menina Má, de Vargas Llosa. Vargas Llosa é um romancista brilhante. O maior entre os autores latino-americanos contemporâneos. Cris estava com o cabelo preso num rabo de cavalo, e usava um vestido leve comprado no Mercado Modelo de Salvador, o que lhe dava um certo ar de personagem de Jorge Amado, outro construtor de obras necessárias.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Não quero terminar”, disse ela. “Estou economizando as últimas páginas. Como a menina má fica no final?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os melhores personagens da literatura raramente terminam bem. Sobretudo as mulheres. Penso aqui comigo por que as feministas não se insurgiram contra a crueldade imposta às mulheres na literatura. Maria Eduarda, de Os Maias, por exemplo. Terminou se apaixonando, por acidente, pelo irmão do qual fora afastada menina. Ainda bebê. Perdera o contato por completo e não sabia que aquele homem que a fascinou imediatamente era seu irmão há tantos anos afastado. Capitu traiu Bentinho e foi morrer solitária e amargurada no exílio europeu. Ana Karenina, casada dentro da melhor sociedade russa, sucumbiu à sedução de Vronski e terminou se atirando sob as rodas de um trem. Madame Bovary, atormentada pelo adultério, se matou.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Todas se deram mal. Por que a menina má, provavelmente a melhor personagem feminina criada pelo gênio de Llosa, se daria bem?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quem quiser ler o livro, e se incomodar com informações sobre o final, é melhor que pare aqui.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Bem, a menina má, uma maravilhosa peruana cosmopolita que tem atitude de dona do mundo, uma fêmea diante da qual se prosternam machos de todas as partes em busca de seus favores sexuais,  tem um final ruim. Um câncer a devasta. Aqueles seios que fariam um bispo convicto hesitar diante de sua escolha pelo sacerdócio foram massacrados pelo câncer. Philip Roth, também um escritor necessário,  também acabou com o seio de uma jovem deslumbrante num romance que recentemente se transformou num filme, Fatal. O filme fica na estranha faixa entre o que não é nem útil e nem inútil, ao contrário do livro de Roth.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um homem tivera pela menina má de Llosa um amor incondicional. O menino bom. Sempre a acolhera, sempre a aceitara. A paixão com a qual toda mulher sonha, mas que infelizmente só parece existir na ficção. Na vida concreta, homens – e mulheres – têm baixa tolerância em relação a seus amores. Num livro de Le Carré, outro romancista necessário, um personagem diz que as mulheres que lhe deram um tapa jamais tiveram a chance de dar um segundo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A menina má, perto da morte, diz a seu apaixonado fiel que, depois de tanto frustrá-lo, lhe deu um grande presente. O menino bom sempre tivera preguiça de escrever um romance. Agora tinha material. “Eu te dei uma boa história para seu romance”, diz ela.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Toda mulher sonha em fornecer a seu homem uma história digna de virar um romance, um amor que se eternize nas páginas de um livro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris fecha por um momento o livro e os olhos castanhos que são excepcionalmente observadores. Pensa em Pedro, que como o menino bom há tempos tem um romance nos seus planos. Um leve sorriso em seus lábios carnudos parece dizer que ela está certa de que dará a ele, como a menina má, uma história que se transforme num romance. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>&quot;Você está entediado com a vida? &quot;&quot;Achei uma revista velha&quot;, disse Cris pela manhâ. &quot;Vi  um  artigo ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 3 Nov 2008 12:33:53 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;&quot;Você está entediado com a vida? &quot;&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Achei uma revista velha&quot;, disse Cris pela manhâ. &quot;Vi  um  artigo que gostaria que você lesse.&quot; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris guardava revistas às vezes durante anos. Tinha fascínio por revistas. Impressas, não digitais. Revistas para admirar as grandes fotos, o papel soberbo, os textos profundos, as idéias de pauta originais. Cris acabara de acordar, e vestia uma camisa branca e uma calça preta. Estava apressada. Tinha uma reunião de trabalho dali a pouco tempo.&lt;br/&gt;  A revista da qual ela falava pregava a simplicidade. Cris prezava a vida simples, exceto na gastronomia e na moda. Gostava de receitas refinadas, e sua comida era admirada, cobiçada e devorada pelos amigos. E tratava com esmero de seu guarda-roupa, enriquecido fazia pouco tempo por uma  peça  Putti de um colorido exuberante. O  artigo específico tratava de uma opção de vida simbolizada por dois filósofos gregos. Um, Heráclito, chorava diante da miséria humana. Traições, decepções, falsidades. O outro, Demócrito, ria. Montaigne usou em seus Ensaios os dois gregos para defender o riso como resposta à miséria humana, e não o choro. O autor do artigo que Cris dera a Pedro para ler falava disso tudo para defender a manutenção do humor no correr dos longos dias e dos inevitáveis tropeços. Sêneca usara uma expressão que Pedro gostava de citar para definir a vida: &quot;um perpétuo vai-e-vém de elevações e quedas&quot;.  O sábio, segundo Sêneca, suporta as quedas, e não se deixa enganar e deslumbrar pelas elevações.&lt;br/&gt;&quot;Tem uma frase neste artigo que vou adotar para mim imediatamente&quot;, disse Cris.&lt;br/&gt;&quot;Hmmm&quot;, murmurou Pedro.&lt;br/&gt;Pedro estava lendo  texto, e pensou em qual seria a frase de que falava Cris enquanto arrumava o cabelo para a reunião. Não chegou a nenhuma conclusão. Heráclito? Demócrito? Montaigne?&lt;br/&gt;Não. A frase que a marcara no artigo era de um general romano, Mário. Era um exemplo soberbo do humor e sabedoria pregados por Demócrito.  Desafiado para um duelo de  morte por um chefe bárbaro, Mário , segundo relatos  de historiadores, respondeu-lhe: &quot;Você está entediado com a vida? Então, se enforque.&quot; E foi embora, alegremente.&lt;br/&gt;&quot;Vou adotar as palavras daquele general como lema&quot;, disse Cris. &quot;Quando vierem me incomodar por nada, como é tão comum, vou virar e dizer: tá entediando com a vida? Se enforca.&quot;&lt;br/&gt;Riu, deu um beijo rápido em Pedro e saiu rumo à reunião e a suas recém-adquiridas ofertas de enforcamento.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas16: O Relâmpago“Numa relação amorosa, o momento em que dois corações podem entender-se é t...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 29 Oct 2008 14:49:45 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas16: O Relâmpago&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Numa relação amorosa, o momento em que dois corações podem entender-se é tão rápido como um relâmpago, e não volta mais, depois de ter se dissipado.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>O dinheiro e a potência“Andei pensando”, diz Thunder com sua voz estentórea a Pedro. “Sobre o dilema...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 29 Oct 2008 14:41:30 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O dinheiro e a potência&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Andei pensando”, diz Thunder com sua voz estentórea a Pedro. “Sobre o dilema sinistro de Henry, personagem de Philip Roth em O Avesso da Vida: a virilidade ou a morte?”&lt;br/&gt;“É um tema fascinante”, diz Pedro.&lt;br/&gt;Henry tem que fazer sua escolha. Tem, conforme escrevi em meu último texto, um problema no coração que o obriga a tomar um remédio que o fez impotente, logo ele, um escravo dos sentidos.&lt;br/&gt;A alternativa é uma cirurgia com boas chances de matá-lo.&lt;br/&gt;Que fazer?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Penso em mim”, diz Thunder. “Se me coubesse a escolha, optaria pelo risco da cirurgia. A impotência é uma  morte em vida. Uma agonia servida em gotas. Não poder entrar numa mulher que se oferece a você. É completamente contra a natureza. Vê-la em sua nudez esplêndida e não ter nada a fazer. Prefiro o pelotão de fuzilamento. Mil vezes ser um mendigo potente do que um milionário impotente.”&lt;br/&gt;“A vida vai além do sexo”, diz Pedro. “O sexo é uma ilusão escravizadora. Marco Aurélio, o rei-filósofo, disse em suas Meditações que o sexo é uma mistura de fluidos de duas pessoas em posição ridícula.”&lt;br/&gt;“Devia ser broxa ele”, diz Thunder, sem nenhuma consideração para com o monarca que simbolizou o sonho de Platão de um governante sábio. “Pessoas com nome duplo são muitas vezes esquisitas.”&lt;br/&gt;Pedro sabia que não havia base científica nenhuma para as palavras de Thunder sobre pessoas de nome duplo como Marco Aurélio, mas sabia também que era impossível tirar algo de sua cabeça imensa e teimosa, nos últimos tempos adornada com uma barba hemingwayana.&lt;br/&gt;“O homem sábio domina o sexo, e não é dominado por ele”, diz Pedro.&lt;br/&gt;“Você precisa parar de ler literatura oriental”, diz Thunder. “Essa história de om, meditação transcendental, ioga. Tudo bobagem. Felicidade é você poder entrar numa mulher bela e infelicidade é não poder. Basicamente isso. O milionário impotente. Quanto ele daria de sua fortuna por uma noite de sexo?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ocorreu a Pedro que o Henry de Roth daria a vida. Mas lhe ocorreu também uma dúvida. O típico homem rico. O que ele valoriza mais: o sexo ou o dinheiro. Se ele tivesse que escolher entre um e outro, qual pegaria e qual largaria? Thunder tinha certeza de que ficaria com o sexo, mas Pedro não estava tão convicto assim.&lt;br/&gt;“Pedro.”&lt;br/&gt;“Hmmm.”&lt;br/&gt;“Viu Fatal?”&lt;br/&gt;Thunder falava de um filme inspirado em outro romance de Roth, O Animal Agonizante.&lt;br/&gt;“Não. Devo?”&lt;br/&gt;“Sim. A crítica foi dura, mas todos sabemos que os críticos de cinema detestam cinema. Um editor de revistas uma vez disse que o melhor emprego do mundo é crítico de cinema. Te pagam para ver filme.”&lt;br/&gt;“Por que devia ver?”&lt;br/&gt;“Porque é Roth na essência”, diz Thunder. “O mundo governado pelo sexo. Um professor apaixonado por uma aluna bem mais jovem que ele, e que deixa de viver a história porque tem medo de que uma hora apareça um cara jovem que vai roubá-la dele. ‘Eu já fui esse cara jovem’, o professor diz no filme a um amigo.”&lt;br/&gt;“Thunder.”&lt;br/&gt;“Hmmm.”&lt;br/&gt;“Olha. A melhor coisa que ouvi sobre essa história de homem mais velho e mulher jovem foi do Mantraman. Ele namora uma moça chamada Rebeldia, uns vinte anos mais nova que ele.”&lt;br/&gt;“E ...”&lt;br/&gt;“E ele disse que quando perguntam se ele não teme o risco de ser trocado por um cara mais novo responde que também ele poderia trocar a Rebeldia por uma mulher mais nova.”&lt;br/&gt;“Preciso ler mais o Mantraman”, diz Thunder. “Grande frase.”&lt;br/&gt;“Pedro.”&lt;br/&gt;“Hmmm.”&lt;br/&gt;“De tudo que eu disse nessa conversa só queria que você gravasse uma coisa. O dinheiro sem ereção é absolutamente inútil. O mendigo potente é um rei perto do rico impotente.”&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas15: O Julgamento&quot;Quanto mais se julga, menos se ama.&quot;Balzac</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 20 Oct 2008 13:46:30 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas15: O Julgamento&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Quanto mais se julga, menos se ama.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Toda mulher precisa de um homem em quem colocar a culpa“Detestei esse livro que você me deu para via...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 20 Oct 2008 01:00:30 BRST</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Toda mulher precisa de um homem em quem colocar a culpa&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Detestei esse livro que você me deu para viajar”,  Cris disse. “O cara engana a mulher e deixa ir embora o amor da sua vida. Mesmo sem suportar a mulher com quem é casado. Isso nas primeiras cinco páginas. Tive vontade de jogar fora. Vou dar mais uma chance de, sei lá, umas trinta páginas.”&lt;br/&gt;Cris se referia a O Animal Agonizante, de Philip Roth, um dos escritores favoritos de Pedro. Ele gostava da mordacidade de Roth, de seu estilo caudaloso e cruel, da libidinagem que governava seus personagens, a começar por ele mesmo, quase sempre mal-escondido atrás do personagem principal. Um judeu-americano soberbo, Roth. O escritor que melhor traçou o retrato depressivo, a angústia tonitruante do homem contemporâneo em sua marcha inescapável rumo à velhice e impotência. Henry, o cara de quem Cris falava, tinha um impasse sinistro logo no começo do livro, além do clássico mulher ou amante. Ele era cardíaco, e tomava um remédio que lhe tirava a potência, logo ele, um obcecado sexual. Uma cirurgia arriscada é a única chance de ele recuperar a vida sexual. Fazer ou não fazer? &lt;br/&gt;“Acho que você não devia dar uma única página a mais de oportunidade para o livro”, Pedro disse. “Livro é assim: ou você gosta ou desiste. Conheço gente que vai adiante por teimosia, mas acho isso uma estupidez. Você não tem na vida tanto tempo assim para ler todas as páginas que gostaria de ler. Não faz sentido desperdiçar tempo com páginas que estão te incomodando. O mesmo vale para um filme. Vinte minutos e a coisa não anda, é tempo de se erguer da poltrona e ir embora do cinema.”&lt;br/&gt;Cris provavelmente voltaria à leitura segura de Travessuras da Menina Má, de Vargas Llosa. O Animal Agonizante talvez não fosse o melhor Roth, mas Pedro gostava muito. A relação entre Henry e seu irmão Nathan o comovia. “Ninguém conhece alguém melhor que um irmão”, estava escrito ali. Ao ler essa frase Pedro se lembrou do magnífico final de um romance do inglês Martin Amis. Uma rivalidade amorosa separou dois irmãos, mas a paixão que os ligava acabou por triunfar. Um deles morre, e o que sobrevive escreve ao irmão morto uma carta que é uma pequena obra-prima. “Você preencheu todos os meus céus”, dizia a carta. “Ter você equivaleu a ter cem irmãos.” Pedro pensava no seu irmão Itamar, equivalente a cem irmãos.&lt;br/&gt;“Devem ter errado na circuncisão do Roth e ele perdeu o pênis”, disse Cris. “Só assim dá para entender a visão tão errada que ele tem de sexo e casamento.”&lt;br/&gt;Pedro devaneou por alguns momentos. Pensou que era um crime Roth não ter recebido um Nobel. Assim como acontecera com Graham Greene. Um francês inexpressivo ganhara o último Nobel de Literatura. O problema não estava em Roth, como não estivera em Greene, mas nos homens que decidiam e decidem o prêmio.&lt;br/&gt;“Mesmo que o Animal Agonizante seja tudo isso que você disse, ele valeria por uma frase”, disse Pedro para Cris.&lt;br/&gt;“A melhor frase do mundo não faz um bom livro”, ela disse.&lt;br/&gt;“Neste caso faz. O Roth escreveu que toda mulher precisa de um homem em quem colocar a culpa. Gênio.”&lt;br/&gt;“Ele é misógino”, ela disse. “Parece detestar mulher.”&lt;br/&gt;“O vibrador liberou a mulher da necessidade de homem para ter orgasmo”, disse Pedro. “Mas em quem ela vai colocar a culpa por tudo de ruim que acontecesse se não num homem? Botar a culpa no vibrador não dá.”&lt;br/&gt;“Às vezes acho você tão misógino quanto o Roth, Pedro”, disse Cris.&lt;br/&gt;Pedro ficaria lisonjeado se fosse comparado a Roth na prosa, mesmo sabendo que isso seria um absurdo, mas não na misoginia. Era Roth mesmo misógino? As mulheres em seus romances pareciam servir para basicamente oferecer prazer, e depois angústia, aos homens. Roth construíra grandes personagens masculinos, mas que mulher interessante ele criara? Onde a sua Capitu, ou Bovary, ou Karenina? Mas. Mas de um escritor capaz de escrever aquela frase sobre a função essencial do homem tudo deve ser perdoado. Sim, pensou Pedro. Toda mulher precisa de um homem em quem colocar a culpa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas14: A Primeira Noite&quot;A sorte de uma relação amorosa depende da primeira noite.&quot;Balzac</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 13 Oct 2008 18:30:47 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas14: A Primeira Noite&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;A sorte de uma relação amorosa depende da primeira noite.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>O caos do caminho“Eu não consegui fazer você feliz”, ela disse chorando. “Isso é o que me dói mais. ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 8 Oct 2008 13:08:04 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O caos do caminho&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Eu não consegui fazer você feliz”, ela disse chorando. “Isso é o que me dói mais. Seus olhos tristes. Essa a imagem que vai ficar gravada em mim para sempre. Nunca te disse. Quantas vezes eu quis te pegar no colo por causa desses olhos tristes.”&lt;br/&gt;Era uma conversa de fim de caso, em que os dois fazem um balanço melancólico das perdas e ganhos, em que o casal desfeito tenta entender o que deu errado, o que fez as ilusões do início se perderem, o que fez os braços de desenlaçarem. Em geral são conversas inúteis. Quase sempre um atira no outro a responsabilidade pelo naufrágio amoroso. Sartre disse que o inferno são os outros, e isso é uma verdade quase absoluta no amor. Raras vezes cada um admite sua parte e quando isso acontece tem-se o que se pode chamar de contribuição milionária dos erros. Cada um tem a chance de corrigir seus equívocos em futuros amores.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Aquela era uma conversa do tipo raro. Não havia amor entre eles fazia tempo, e ambos sabiam. O que os ligara um dia se dissolvera inteiramente. Apenas protelaram o adeus. Mas havia uma vontade neles dois em entender com profundidade o que acontecera. E era essa vontade que explicava a conversa honesta naquele momento.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Você não teve culpa nenhuma em não me fazer feliz”, ele disse. “Quem poderia me fazer feliz? Eu mesmo. Mas. Mas. Sei lá. Isso era um projeto acima das minhas forças. Acho que eu tentei. Mas jamais tive força suficiente para me fazer feliz. Olho ao meu redor. Vejo pessoas infelizes a meu redor e me pergunto: qual delas foi bem-sucedida na tarefa de se fazer feliz?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Schoppenhauer escreveu que a pior coisa que poderia acontecer a alguém era nascer. Dores, perdas, decepções. Morte. Schoppenhauer foi influenciado pelas filosofias orientais. A verdade essencial do budismo é que viver é sofrer. Alguns dias antes dessa conversa de final de caso Woody Allen dera uma entrevista na qual dissera que viver é sofrer. Allen, autor de dois filmes essenciais para quem gosta de grande arte no cinema, Annie Hall e Manhattan, não fora original na frase, mas verdadeiro. Mesmo o sorriso do Dalai Lama parece forçado se você observa o esgar de sua boca com senso crítico e não com devoção.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Durante muito tempo eu também me senti culpado de não fazer você feliz”, ele disse. “Eu era pretensioso. Achava que podia controlar tudo. Até a sua taxa de felicidade. O tempo me mostrou que os mais infelizes entre os infelizes são aqueles que querem controlar tudo. Quando eles percebem que não podem, se sentem desesperadamente impotentes. Depois eles enchem os consultórios dos psiquiatras e tomam loucamente antidepressivos em busca de conforto para a pretensão destruída.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Um dia eu achei que nós podíamos ser felizes juntos”, ela disse. “Achei não. Tive certeza. Naqueles dias. Os primeiros. Eu revi as fotos para ver se era fantasia minha. Não. Nós estávamos felizes. De verdade, não de mentirinha.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Passou por ele um trecho de Anos Dourados, a melhor parceria de Tom Jobim e Chico Buarque. &lt;i&gt;Na fotografia estamos felizes&lt;/i&gt;. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Minha mãe lá em cima e nós no tapete. Lembra?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A mãe dela falava ao telefone demoradamente na parte de cima do sobrado. Eles aproveitavam para se engalfinhar no tapete branco e macio. Sabiam pelo barulho do telefone quando a mãe enfim terminara a conversa. E se recompunham.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ele sorriu. Lembrava bem as tardes quentes no tapete. Mais tarde a tagarelice da mãe dela o incomodaria, mas ali era uma bênção.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Onde foi que nos perdemos, onde foi?”, ela disse.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Não sei. A vida nos perdeu, acho. Ninguém caminha junto uma vida inteira. O tumulto das coisas faz com que as pessoas se percam umas das outras. Irmãos se perdem de irmãos. Amigos se perdem de amigos. Amores eternos se perdem também no caos do caminho.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Aquelas tardes”, ela disse. “Elas existiram mesmo?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Existiram. Elas talvez nos compensem de tanta dor que trouxemos depois um ao outro. E nelas fomos de alguma forma felizes para sempre.” &lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 13: Sobre o Homem Inferior&quot;É uma prova de inferioridade, num homem, não saber fazer de su...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 6 Oct 2008 13:32:31 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 13: Sobre o Homem Inferior&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;É uma prova de inferioridade, num homem, não saber fazer de sua mulher sua amante. Só os homens tolos julgam que se deve ter ambas separadas -- a mulher e a amante.  A amante e a mulher devem estar unidas num único ser sublime.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 12: Beleza Malvada&quot;Por que, de cada dez mulheres bonitas, há pelo menos sete que são perv...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Thu, 2 Oct 2008 21:01:06 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 12: Beleza Malvada&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Por que, de cada dez mulheres bonitas, há pelo menos sete que são perversas?&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>“Mulher detesta receber livro de presente”“Some daqui”, ela disse a ele aos gritos. Ela sabia gritar...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 1 Oct 2008 19:47:39 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;“Mulher detesta receber livro de presente”&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Some daqui”, ela disse a ele aos gritos. Ela sabia gritar. Era uma coisa tão natural nela como andar, ou dançar, ou cozinhar, ou pintar, ou ler, ou escrever. Moravam juntos fazia um ano, e ela o estava mandando embora de casa. Não funcionara, e ponto. Ele não tentou dissuadi-la em parte porque sabia ser impossível, e em parte também porque sabia que a história deles fora à falência como um daqueles bancos de investimentos americanos apanhados pela grande crise financeira de 2008. Em amores falidos quanto menos conversa houver melhor. Os diálogos costumam apenas aprofundar a dor e a raiva.&lt;br/&gt;Quando decidiram morar juntos, depois de um namoro curto de cinco meses, um projetava grandes expectativas no outro. Um romance saudável não combina com expectativas elevadas: a frustração costuma ser letal. Espere pouco de um caso de amor e as chances de ele florescer são, paradoxalmente, maiores. Eles esperaram muito um do outro, e depois se culparam mutuamente pela decepção. &lt;br/&gt;No final, o que restara de bom fora, apenas, a vida sexual.. Ele não conseguia se deitar ao lado dela na cama sem querer possuí-la. Parecia um feitiço. Ele gostava dos sons dela no sexo, dos gemidos suaves e constantes. Gostava do cheiro dela, do contorno delicado de seu corpo miúdo e bem feito. Do jeito de fechar e de abrir os olhos quando ele estava por cima dela. Gostava da expressão dela quando ficava sobre ele. Uma vez a fotografara assim e depois dera à foto o nome de Orgasmo Poltersgeist. Ela se sentia lisonjeada com o fascínio sexual que exercia sobre ele. Poucas sensações elevam tanto uma mulher quanto a de saber que é desejada.  Mas o sexo bom apenas retarda o fim de uma história de amor, não o evita.&lt;br/&gt;“Uma vez você falou que me dava orgasmos como ninguém”, ela disse na conversa final com ele. “Você achava que isso era suficiente. Mas não. Orgasmo uma mulher pode ter com um vibrador. Um casamento é muito mais que uma fábrica  de orgasmos. Um casamento é feito fora da cama, não nela. Um casamento se constrói quando estamos de pé, e não deitados.”&lt;br/&gt;Ele riu sozinho. Essa frase dela lembrou a ele uma tirada clássica de Churchill, o líder inglês da Segunda Guerra. “Sente-se em vez de ficar de pé, se você pode. E se deite em vez de ficar sentado, se der.” De Churchill ele se lembrava de outra tirada clássica. Uma mulher dissera a ele, numa festa da aristocracia inglesa, que poria veneno na sua bebida  se fosse casada com ele. Churchill replicara que se fosse marido dela tomaria o veneno alegremente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ela tinha um vibrador, guardado na gaveta de calcinhas. Comprara pela internet para evitar o embaraço da compra pessoal. Homens se sentem constrangidos ao comprar preservativos, e mulheres sentem o mesmo ao comprar vibrador. Ele viu no vibrador – rosa, delicado, efeminado até, mas eficiente em suas cinco fases de vibração – um competidor. De uma forma estranha ele preferia que, se era  para ter orgasmos sem ele, que fosse com outro homem e não com uma maquininha cor de rosa. A aquisição se fizera no final do casamento.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Você não me enxergava nem nos presentes que dava para mim”, ela disse ao despedi-lo. Olhou para uma esstante cheia de livros que ele lhe dera. Uma mistura exótica e desconexa de letras. Greene, Llosa, Confúcio, Roth, Updike. “Você sabe que eu adoro ler. Ter um bom livro nas mãos me dá um prazer quase sexual.” No momento ela estava lendo A Menina Má, de Llosa. Vagava  lenta e com atenção extrema pelas linhas e pelas páginas de Llosa. Ele dizia nos bons tempos, brincando, que ela era sua menina má.&lt;br/&gt;“Mas. Porém. No entanto.” A cada palavra a voz dela subia de tom. “Caraca. Será que você nunca vai entender que mulher detesta receber livro de presente?”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>O significado real das dez maiores desculpas para terminar um relacionamento  10) “Estou numa crise ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Tue, 30 Sep 2008 12:39:58 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O significado real das dez maiores desculpas para terminar um relacionamento&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;img src=&apos;fim de caso.jpg&apos; /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; 10) “Estou numa crise comigo mesmo. Tenho que respirar.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Você é a minha crise. Suma e minha vida vai melhorar, acredite.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;9) “Você vai ficar melhor sem mim. Juro. Vai encontrar um cara à sua altura.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Já encontrei uma mulher à minha altura. Bye. Sorry. Chispa.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;8) “Vamos apenas dar um tempo. Quem sabe em breve nos reencontremos. E para sempre.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Saindo daqui vou deletar seu número da agenda do meu celular. Até nunca mais. &lt;/b&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;7) “Tenho uma coisa pra te dizer nesta conversa final: você é uma guerreira incrível.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Pegue suas armas e vá guerrear longe de mim.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;6) “Tenho que ficar sozinho um tempo. Sou um cara solitário. Não sou boa companhia para ninguém. Você sabe.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Olha,  ficar com você é o pior tipo de solidão.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;5) “Nós vamos sempre nos amar, acredita. Apenas de uma maneira diferente. A distância vai evitar que o nosso amor se desgaste.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Faz tempo que não sinto mais nada por você exceto tédio. Quero você o mais longe de mim possível. &lt;/b&gt; &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;4) “A gente perdeu aquela chama. Só a distância pode reacender aquele nosso fogo.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Agora vejo você pelada e é como se estivesse vendo minha mãe.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;3) “No Grande Plano Cósmico, no Infinito Espiritual, estaremos sempre juntos. Nada vai nos separar.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Mas aqui na velha e boa Terra quero você bem longe.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;2) “Eu abafo você. Você vai crescer como mulher sem mim Fica sossegada.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Tradução: Cresça e desapareça.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;1) “O problema sou eu.”&lt;br/&gt;&lt;b&gt; Tradução: Meus problemas acabam agora que me livrei de você.&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 11: O Elogio do Ciúme Nada é mais santo, nem mais sagrado do que o ciúme. O ciúme é a sen...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Fri, 26 Sep 2008 16:29:23 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Ba&lt;b&gt;lzáqueas 11: O Elogio do Ciúme&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;img src=&apos;tapa.jpg&apos; /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nada é mais santo, nem mais sagrado do que o ciúme. O ciúme é a sentinela que nunca dorme: ele é para o amor o que o mal é para o homem, um verídico aviso. Quanto mais uma mulher castigar com ciúme um homem, mais ele lamberá, submisso e humilde, o bastão que ao bater-lhe lhe diz quanto ela se interessa por ele.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac &lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>O sapato tricolorTodos os casamentos são difíceis, mas alguns são mais difíceis que os outros. Foi o...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 24 Sep 2008 13:23:42 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O sapato tricolor&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;img src=&apos;lixo1.jpg&apos;align=right&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Todos os casamentos são difíceis, mas alguns são mais difíceis que os outros. Foi o caso do casamento de Cris. A sogra invadia, um clássico. Casamentos em que sogras mandam mais que a mulher ou o marido são cadáveres. Cris tinha em seu quarto uma foto em pose provocadora tirada por uma amiga fotógrafa, e a sogra reprovava abertamente aquela imagem. Pernas abertas, um cigarro no canto da boca, um ar de quem bebeu toda a noite anterior e não teve tempo para dormir. Não cabe aqui dizer que era uma das fotos mais inocentes entre as feitas pela amiga de Cris. A irmã do marido de Cris também dava mais palpites do que o necessário, e ele gostava de ouvi-la. Cunhadas devem falar o mínimo, eis uma frase que, se aplicada nos lares, salvaria muitos casamentos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris se deu conta de que seu casamento com Frusciante estava liquidado quando se esqueceu da data. Que era a senha de seu cartão bancário. Teve que pegar a aliança, que logo depois atiraria triunfante ao mar, para ver o dia em que, lindamente diáfana em seu vestido quase transparente sem sutiã e abarrotada de esperanças, dissera sim a Frusciante. O dia quatro de março estava gravado da aliança. Um amigo gay estava presente na cerimônia do arremesso da aliança à imensidão azul. “Volta para o mar, oferenda”, gritou o amigo. No álbum de fotos os dois pareciam felizes para sempre. Foi um casamento moderno, de gente descolada, mas não faltou a foto em que um bebe champanha no copo do outro. Não foi uma noite de núpcias incrível. Cris capotou de tanto beber no casamento, em que segundo amigos parecia estar “em transe”, e Frusciante não lidou muito melhor com a bebida que tomara.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Casamento que começa em ressaca e não em orgasmo também é cadáver.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A tolerância diminui na mesma proporção em que o amor diminui, escreveu um especialista oriental na arte do amor, Vatsayanna. Na etapa final de seu casamento Cris estava extremamente impaciente com Frusciante. Não suportava quase nada dele, a começar pelo sapato tricolor que ele afirmava ser de uma marca chique e cara. “Era sapato de palhaço”, na avaliação de Cris. Uma avaliação cruel como um cossaco russo, para usar uma frase de Tio Fabio, falecido homem sábio do interior. Deus o tenha.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris pensou um dia que, se não podia se livrar no momento do marido,  no sapato tricolor podia dar um jeito. “Ninguém era obrigado a aguentar a visão daquele sapato de palhaço”, diria ela depois do episódio. Cris jogou um pé no lixo. Quando Frusciante um dia quis calçar seu sapato tricolor, encontrou apenas um pé. Procurou o outro inutilmente. &lt;br/&gt;“Você viu, Tina?”&lt;br/&gt;“Você deve ter esquecido na sua irmã”, disse ela, certa de que prestara um serviço à beleza do planeta ao jogar no lixo um pé do sapato de palhaço.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A verdade só foi revelada nas conversas finais do casal, meses depois. Essas conversas, clássicas nos casamentos destruídos, são uma penosa prestação de contas em que cada um sai ainda com mais raiva do outro, se é possível. Poderia haver um atalho silencioso rumo à separação.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Tem uma coisa que eu preciso te dizer”, disse Cris.&lt;br/&gt;“Hmmm”, respondeu Frusciante.&lt;br/&gt;“O sapato. Aquele. De palhaço. Eu joguei fora o pé que você não encontrou.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Você é doente”, disse ele.&lt;br/&gt;“A pior doença é o mau gosto”, disse ela.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Feita a revelação, e encerrado pouco depois o casamento, Cris prometeu a si própria jamais voltar a ter um relacionamento com qualquer homem que possuísse sapato tricolor. &lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 10: O Elogio da Virgindade &quot;A virgindade, com todas as monstruosidades, tem riquezas espe...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Tue, 23 Sep 2008 13:32:58 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 10: O Elogio da Virgindade&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;img src=&apos;cinto.jpg&apos; /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;A virgindade, com todas as monstruosidades, tem riquezas especiais, grandezas absorventes. A vida, cujas forças são economizadas, toma no indivíduo virgem uma qualidade de resistência e durabilidade incalculável. O cérebro enriqueceu-se no conjunto de suas qualidades reservadas. Quando os castos precisam de seu corpo ou de sua alma, quer recorram à ação ou ao pensamento, encontram então aço em seus músculos ou ciência  poderosa em sua inteligência, uma força diabólica ou a magia negra da vontade.&quot;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>O amor e a guerra Uma revista masculina americana publicou, há algum tempo, um artigo que era uma es...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sun, 21 Sep 2008 15:45:57 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O amor e a guerra&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; &lt;img src=&apos;bomba.jpg&apos; /&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma revista masculina americana publicou, há algum tempo, um artigo que era uma espécie de elogio da violência no amor. Não, não. Estou exagerando. O artigo apenas falava como um pouco de guerra entre o homem e a mulher pode, na hora das pazes, resultar num sexo alucinante. (E lá vou eu para mais uma digressão: amo uma paisagem do filme O advogado do diabo em que Al Pacino descreve, para um marido traído, o sexo que fez com a mulher deste. Em sua voz tonitruante e cínica, ele diz mais ou menos o seguinte para o marido atormentado: ‘Numa escala de 0 a 10, considerando-se que o sexo papai-mamãe que você faz com sua mulher é 3, chegamos a 7.)&lt;br/&gt;Enfim: o tal artigo dizia que, depois da guerra, o sexo podia subir alguns pontos na escala Pacino – Diabo. Havia até algumas evidências supostamente científicas para apoiar a tese. Eu pensei o seguinte: pobres dos leitores e leitoras que decidirem testar. Guerra no amor não se controla como uma pipa, para a qual você dá mais linha ou menos linha de acordo com o vento. Dados os primeiros disparos, não há retorno possível.&lt;br/&gt;    Os amantes que iniciam uma guerra talvez subam aos céus nas reconciliações sexuais, mas inapelavelmente descerão ao inferno para daí não mais saírem, miseravelmente derrotados. O inferno só vai terminar com o fim da relação. Acabado o romance, se o homem e a mulher estiverem inteiros, o máximo que conseguirão dizer de tantas coisas que viveram juntos é: sobrevivi. E não será pouco. Porque muita gente não sobrevive. Digo fisicamente mesmo. Um dos destinos clássicos da guerra amorosa, como na guerra convencional, é o caixão. Uma imagem que trago perene na mente é a do sangue numa calçada em que um casal desvairadamente apaixonado se matou com uma faca. Eu jamais soube quem pegou primeiro a faca. Ou quem morreu primeiro. O fato é que ambos saíram mortos daquela que seria sua última briga.&lt;br/&gt;    Eu falei acima do teste. Em casais que decidam testar a tese bélica da revista americana. Mas errei. A guerra no amor, como a globalização, não é escolha. É destino. Os tambores já começam a rufar, anunciando a guerra, quando certos homens e certas mulheres nem trocaram ainda o olhar de flerte. Pode ser que ele, o homem, tenha sido, em todos os outros relacionamentos, tão pacífico quanto uma ovelha tibetana. E ela também. Mas, ao se encontrarem, por alguma química estranha, os exércitos se mobilizam. E não demora muito para que alguém aperte o gatilho. &lt;br/&gt;   É o amor neurótico em ação. O amor neurótico é generoso como nenhum outro tipo de amor: proporciona momentos inigualáveis, sobretudo no sexo. E é também cruel como um cossaco russo. (Meu tio Fábio, falecido homem sábio do interior, é que me contava que não havia nada tão cruel quanto um cossaco russo. Jamais conferi a veracidade histórica dessa afirmação, mas confio integralmente na sabedoria de meu tio.) Céu e inferno, inferno e céu.&lt;br/&gt;   Uma característica essencial no amor neurótico é que você pega o pacote todo ou não pega nada. Não dá pra ficar com a parte boa e desprezar a ruim. Infelizmente, é impossível ter sexo com alta nota na escala Pacino - Diabo e, ao mesmo tempo, assistir de mãos dadas à novela das 8 comendo pipoca. A fraternidade é uma impossibilidade científica no amor neurótico. &lt;br/&gt;   Uma outra característica vital do amor neurótico é que, no princípio o êxtase predomina sobre a fúria. Há muito céu e pouco inferno. Cada vez mais no inferno, cada vez menos céu. Você mal acredita que um dia as coisas andaram tão bem, tão destruidora a relação se tornou. É tempo de encerrar. Isto é, se você ainda estiver vivo para cair fora. Eu quase iria dizendo, pueril e inutilmente: fuja, fuja do amor neurótico enquanto há tempo. Mas não adianta: você é capturado muito antes de se dar conta de que se trata de um amor neurótico. Então termino dizendo apenas a quem está vivendo ou vai viver uma paixão dessas: boa sorte. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 9&quot;A mulher de um homem de gênio nada mais tem a fazer do que se deixar guiar, e a mulher ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 15 Sep 2008 16:04:11 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 9&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;A mulher de um homem de gênio nada mais tem a fazer do que se deixar guiar, e a mulher de um tolo deve, sob pena de maiores desastres, apoderar-se da direção da máquina, se se sente mais inteligente do que ele.&quot;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Os homens que se dão bemPedro sempre se lembrava de uma frase que lera num Vargas Llosa. A cada livr...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sun, 14 Sep 2008 15:11:05 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Os homens que se dão bem&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pedro sempre se lembrava de uma frase que lera num Vargas Llosa. A cada livro novo que o personagem (inspirado no próprio Vargas Llosa, claro) trazia para casa, um outro era retirado. O mesmo com quadros. Vargas Llosa, como Pedro, era fascinado pela pintura provocadora e à frente de seu tempo de Egon Schielle. Pedro lera também num Llosa a técnica de fazer uma ficha sintética para cada livro lido. Achara uma ótima idéia, a ponto de recomendá-la a muita gente, mas jamais conseguira transformá-la num hábito. Os livros que lia e amava, bem, o que lembrava deles estava não em fichas mas em fragmentos de memórias. De Gatsby, um de seus favoritos, gostava de lembrar uma certa frase do narrador. Um grito de amor e desespero diante da queda de Jay Gatsby, adulado enquanto proporcionava as melhores festas da cidade. Gatsby conhecia o ocaso depois da opulência incensada e invejada, e ele dera uns passos rumo à escuridão depois de conversar com o narrador, com certeza inspirado no autor da história, Fitzgerald. Antes que ele desaparecesse da vista do narrador, este grita para ele: “Ei, Gatsby, você é melhor que todos os eles.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pedro não retirava de sua biblioteca um livro antigo a cada novo que chegava. Não tinha organização, não tinha método para isso. Mas de tempos em tempos fazia uma limpeza cultural ao fim da qual dava a quem se interessasse cem, duzentos livros. Numa dessas faxinas ele olhou para uma estante em que guardara livros de filosofia oriental. Numa fase de sua vida se encantara com a sabedoria oriental, do vedanta ao hinduísmo, do zen ao budismo. Do budismo guardara, para sempre, a essência de que a vida é sofrimento. Perdas, decepções. Impermanência. Precariedade. Como lidar com as adversidades – inevitáveis a todos os seres humanos – é a única coisa que nos distingue. Bravura na adversidade, eis a característica vital dos grandes homens e das grandes mulheres. Os melhores entre nós aceitam a vida como ela é, um “perpétuo vai-e-vém de elevações e quedas”, como escreveu Sêneca, o estóico. Pedro era fascinado pelo estoicismo, e se lembrava sempre da máxima dos estóicos: “Abstém-te e suporta”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Na estante oriental ele encontrou um tratado sobre a arte de amor atribuído a um certo Vatsayana, um sábio indiano que se supõe ter vivido entre os séculos I e VI da era cristã. Aforismos sobre o Amor. O título original, em sânscrito, é Kama Sutra, e erroneamente muita gente pensa que é uma obra pornográfica.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Guardo ou entra na minha faxina?, pensou Pedro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Era uma pergunta protocolar. Claro que guardaria. Pedro folheou o livro. Na página 123, viu a lista dos homens que têm sucesso com as mulheres, segundo Vatsayana. Pedro foi ponto a ponto na lista. Gostava de listas, e esta era instrutiva e divertida. Dão-se bem os seguintes homens, conforme escrito no livro:&lt;br/&gt;1)	os versados na ciência do amor;&lt;br/&gt;2)	os que têm habilidade para contar histórias;&lt;br/&gt;3)	os que conhecem as mulheres desde a infância;&lt;br/&gt;4)	os que conquistaram a confiança delas, mulheres;&lt;br/&gt;5)	os que lhes enviam presentes;&lt;br/&gt;6)	os que falam bem;&lt;br/&gt;7)	os que fazem coisas de que elas gostam;&lt;br/&gt;8)	os que nunca amaram outras mulheres;&lt;br/&gt;9)	os que conhecem seus pontos fracos;&lt;br/&gt;10)	 os que gostam de festas;&lt;br/&gt;11)	os liberais;&lt;br/&gt;12)	os que são famosos por sua força;&lt;br/&gt;13)	os empreendedores e corajosos;&lt;br/&gt;14)	os que superam os demais homens em cultura, aparência, boas qualidades e generosidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pedro devolveu o livro à prateleira de filososia oriental. Poucos livros são para guardar. Os Aforismos do Amor de Vatsayana, pensou ele, era um deles.</description>
    </item>
    <item>
      <title>A beleza das rodas que giramA maior parte das coisas que fazemos ou dizemos é inútil. São palavras d...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Thu, 11 Sep 2008 13:10:10 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;A beleza das rodas que giram&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A maior parte das coisas que fazemos ou dizemos é inútil. São palavras de tio Fábio, um falecido homem sábio do interior.  Deus o tenha. Imagino que ele tenha se inspirado, nessa frase de imensa sabedoria, em Sêneca, seu filósofo predileto. Imagino, não. Tenho certeza. Tio Fábio sempre gostou de citar expressões deliciosamente ferinas de Sêneca relativas à idéia do esforço em vão, do suor vertido por nada ou quase nada. Uma delas: agitação estéril. Outra: preguiça excitada. Lembro-me de ouvir tio Fábio contar que Sêneca comparava ações inúteis ao trabalho das formigas que descem e sobem o tronco da árvore sem nenhum propósito. Prometi a tio Fábio que, se um dia vencesse minha preguiça invicta de ler filósofos, minha escolha de leitura será Sêneca.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; Enquanto isso, sirvo-me das palavras transmitidas por tio Fábio.&lt;br/&gt;Olho para o espelho e concordo: Quase tudo que eu faço ou digo não serve pra nada. E no entanto sinto dificuldade em deixar as atividades sem razão ou utilidade. Penso que isso acontece com quase todo mundo: uma dificuldade poderosa de ficar sem nada para fazer. Simplesmente contemplar as coisas. Refletir sobre nós mesmos. Não nos permitimos o ócio. Pegar uma sessão das 2 no meio da semana. Tomar um sorvete no parque no meio da tarde, sob a sinfonia natural da passarada ou das folhas tocadas pela brisa. Ou simplesmente fechar os olhos e pensar. Estamos sempre fugindo de nós mesmos. Fugindo de nós mesmos: claro que essa frase de gênio não é minha.  Lucrécio, poeta e filósofo romano, a quem interessar possa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Parecer ocupado é considerado importante, mais do que estar mesmo ocupado. Na vida corporativa, isso chega a extremos de comédia. Li numa revista que uma empresa de recolocação de executivos desempregados arruma para eles escritório e secretária para que simulem atividades. (E fujam de si mesmo, ocorre-me.) Soube pelo brilhante Max Gehringer que as empresas fazem planos de cinco, dez anos. As coisas mudam tanto, o tempo inteiro: faz sentido planejar um futuro distante? Estarão vivos os planejadores? Estarão vivas as premissas em quais os planos se basearam? Suspeito que tudo isso se encaixe no que Sêneca chamou de agitação estéril. (E você, Max, o que diz?)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt; Sou um escritor barato. Não tenho carteira de trabalho. Mas gostaria de lembrar uma frase proferida por tio Fábio, que fez uma longa, boa e pacata carreira num banco estatal. Um sagaz e sincero observador da condição humana, ouvi-o dizer mais de uma vez: “De dez coisas que as pessoas fazem no trabalho, nove costumam ser inúteis. A décima é geralmente uma bobagem. Digo isso com base nas coisas que eu mesmo fiz.” Exagerado, provavelmente. Mas será que é tão distante assim da realidade?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esqueça agora a empresa. Seu tempo é livre? Pois então você se sente compelido interiormente a ocupá-lo. Você pega o celular e telefona para a primeira pessoa que lhe vem à mente, mesmo que não tenha o que dizer. Ou então se instala em frente do computador e entra e sai de sites. Você sobe a escada, depois desce. Todos nós fazemos isso. Subimos as escadas e descemos como as formigas de Sêneca. Sem propósito. Apenas porque não conseguimos ficar sozinhos com nós próprios.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Registro aqui o elogio do ócio, numa época de tantos movimentos por nada, tanta agitação sem nexo. E penso comovido, numa canção de John Lennon. Ouço-a mentalmente. Watching the Wheels. Olhando para as rodas. Ele dizia que as pessoas estranhavam vê-lo sentado, de olho nas rodas dos carros que passavam e passavam. “Apenas gosto de vê-las girar.”, disse John. John Lennon nesse momento foi tão sábio quanto tio Fábio, quanto Sêneca, quanto todos aqueles que se insurgem contra a fuga automática e neurótica de si mesmos. &lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 8A duração da paixão de um homem é proporcional à resistência oferecida pela mulher.Balza...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 8 Sep 2008 15:33:11 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 8&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A duração da paixão de um homem é proporcional à resistência oferecida pela mulher.&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>O gênero da amizadePedro e Cris tinham acabado de rever Butch Cassidy no apartamento dele. Ele soube...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 3 Sep 2008 18:56:02 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O gênero da amizade&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pedro e Cris tinham acabado de rever Butch Cassidy no apartamento dele. Ele soubera que Paul Newman, que fez Butch, estava morrendo.  Montaigne escreveu que só se sabe a estatura de um homem na hora da morte.  Os bravos dominam a arte de morrer, assim como dominaram a de viver. Paul Newman parecia grande sob esse ângulo. Os repórteres perguntaram a ele de que estava se tratando. Ele estava numa cadeira de rodas, devastado por um câncer e pelo tratamento brutal e inútil a que se submetera. No entanto teve forças para dizer que estava se tratando de pé de atleta. Lol. “Ainda bem que Butch morreu no apogeu da juventude e da beleza”, pensou Pedro ao ver Newman na cadeira, velho, doente. A cena final de Butch Cassidy é um clássico. Um jornal classificou-a como o melhor fim de filme de todos os tempos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Butch Cassidy é uma história de amizade sem limites. Butch e Sundance Kid, interpretado magistralmente por Robert Redford, são bandidos no Velho Oeste. Mas um tipo especial de bandidos. Charmosos, divertidos, nada sanguinários. Butch pensa, Sundance age. Butch é rápido no cérebro, Sundance saca a arma com sua mão esquerda com rapidez legendária. Ninguém que goste de cinema pode deixar de ver a cena da bicicleta. Sob Rain Drops Keep Falling on My Head, Butch dá uma volta de bicicleta num dia ensolarado com a namorada de Sundance no cano. “Butch”, diz ela, os olhos fixos nos dele. “Se nós tivéssemos nos conhecido antes que eu encontrasse o Sundance,  você acha que estaríamos namorando?” Ele diz uma frase que é um clássico. “Entre certos povos andar junto numa bicicleta significa estar casado.” Etta, vivida por Katherine Ross,  é dona de uma beleza ao mesmo tempo terna e sensual. Quando acompanha os dois numa fuga desesperada para a América do Sul, impõe apenas uma condição: não iria vê-los morrer. Quando o cerco a eles se aperta, ela retorna. Toca então a música mais bela desta que é uma das maiores trilhas sonoras do  cinema, composta por Burt Bacharah no seu apogeu: Never Going Home Anymore. Nunca mais de volta à casa. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Parece que amizade assim, cúmplice e para toda obra, é mais comum entre homens. Você viu Desejo e Reparação? Uma irmã ferra a vida da outra por conta de um homem. Enquanto num conto do Borges dois amigos que se apaixonam pela mesma mulher a matam para manter a amizade.”, diz Cris. “As mulheres competem. Raras as mulheres que elogiam umas as outras com sinceridade, mesmo por coisas bobas como o vestido ou o cabelo. Raro, mas não estou dizendo que não acontece. Eu mesma tenho grandes amigas.”&lt;br/&gt;“Hmmmm”, disse Pedro.&lt;br/&gt;“Você não encontra um filme de amizade entre dois caras como Butch Cassidy no universo feminino. A exceção notável é Thelma &amp; Louise.”&lt;br/&gt;Um outro final espetacular, parecido com  o de Butch Cassidy. O carro rumo ao abismo. O carro em que as duas amigas encontraram enfim a liberdade. Também o final de Thelma &amp; Louise entrara na lista dos maiores do cinema. &lt;br/&gt;“Sabe a definição do Montaigne para a amizade? Dois amigos formam como que um único tecido no qual você não percebe a costura.”&lt;br/&gt;“Entre as mulheres esta costura não existe”, disse Cris.&lt;br/&gt;Passou por Pedro a idéia de que a desgraça de uma mulher é a felicidade de muitas outras. Pedro fez um gesto quase teatral. E depois disse uma banalidade. Cris riu. &lt;br/&gt;“Adoro quando você junta as mãos solenemente como se fosse fazer um grande pronunciamento  e depois fala uma bobagem”, ela disse. &lt;br/&gt;“Tou pensando na morte próxima do Paul Newman”, ele disse.&lt;br/&gt;“Ele tinha olhos turqueza profunda. Um cara assim não devia morrer.”&lt;br/&gt;Pedro fez seu gesto quase teatral. Parecia Platão.&lt;br/&gt;“É”, concordou.&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 7Fuja desabaladamente das mulheres que gostam de presentes. E que falam dos sentimentos q...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 1 Sep 2008 12:09:56 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 7&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fuja desabaladamente das mulheres que gostam de presentes. E que falam dos sentimentos &lt;i&gt;que você tem por elas&lt;/i&gt;. E do coração. Esse precioso coração. Elas gostam de tudo em você.&lt;br/&gt;O que haverá por trás?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Ainda que você não escreva nada que preste sobre mimPedro estava meio filosófico. “Uma relação amoro...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sat, 30 Aug 2008 18:34:00 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Ainda que você não escreva nada que preste sobre mim&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pedro estava meio filosófico. “Uma relação amorosa encontra, cedo ou tarde, uma encruzilhada. Um caminho leva à felicidade, e o outro ao tormento”, disse ele. “É só naquele instante que é possível para o casal escolher um dos caminhos.”&lt;br/&gt;Cris riu. Ela acabara de fazer ginástica no clube. Queria voltar a fazer balé. Marcara um teste numa companhia de dança, mas tinha que comprar sapatilhas. Fora primeira bailarina muitas vezes, mas fazia tempo que não dançava.  “Você parece adepto da filosofia dadá”, ela disse. Eu um dadaísta?, Pedro pensou. Lol.  Que queria ela dizer com isso? &lt;br/&gt;“O caminho feliz é aquele em que um  eleva  outro”, disse Pedro. “O todo é maior que as duas partes. O caminho infeliz é aquele em que um joga o outro para baixo. O mais comum é o caminho infeliz. Cada um se compraz em fazer mal para o outro. Pense os casais que você conhece. Qual optou pelo caminho feliz?”&lt;br/&gt;Cris fez uma estrela. Nostalgia do balé. Pareceu pensar um pouco nos casais conhecidos para ver se concordava com a tese de Pedro. Mas depois mudou de assunto.&lt;br/&gt;“Pedro. Por que eu pareço tão frívola nas coisas que você escreve? Eu não me reconheço nas coisas que você escreve. Dizer que eu ponho as mãos na cintura quando fico brava.”&lt;br/&gt;Ele ia perguntar se era uma queixa, mas economizou tempo. Sim. Era uma queixa.  Escrever é se expor. O escritor raramente agrada alguém sobre quem escreve, ainda que a intenção seja esta. Para quem escreve, desagradar é muito mais fácil que agradar. É a maldição, o anátema do escritor.&lt;br/&gt;Pedro traçou mentalmente o perfil de Cris. Bonita. Inteligente. Quente. Cheirosa quando suava. Engraçada como uma comediante em certas ocasiões. Interessada em variadas coisas. Cinema, gastronomia, moda, arte.  Gostava de Klimt. Pintava também.  Morara alguns anos em Londres, e vendera um quadro por uma quantia expressiva. Cris tinha uma tela em banco  em sua sala para ser preenchida num momento de inspiração. Cris tinha tantas coisas que a faziam única. Mesmo assim quando Pedro escrevia sobre Cris o resultado era decepcionante para ela.&lt;br/&gt;“Pedro.”&lt;br/&gt;“Cris.”&lt;br/&gt;“Essas história dos dois caminhos. O feliz e o infeliz. Nós dois. Na sua opinião. Qual deles nós escolhemos?”&lt;br/&gt;“A  vida inteira eu julguei ter escolhido caminhos felizes. Mas a realidade mostrou que todos eles foram infelizes. Mas agora.  Agora tenho a impressão de que finamente acertei.  Acho que o nosso é o caminho feliz. Aquele em que um ergue o outro. ”&lt;br/&gt;“Pedro”, disse Cris. “Pois eu. Eu tenho certeza. Sabe aquela história do felizes para sempre? É a nossa história. Eu também já fiz todas as escolhas erradas que tinha para fazer. Você me ergue, mesmo que não consiga escrever nada que preste sobre mim.”&lt;br/&gt;Riram e beijaram-se, e naquele momento nem Schopenhauer com seu pessimismo avassalador, expresso na frase segundo a qual nada existe de pior do que nascer, seria capaz de prever para os dois nada menos do que uma jornada plena de felicidade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 6&quot;Receber olhares cheios de admiração, desejo e curiosidade é como uma flor que todas as ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 27 Aug 2008 11:06:15 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 6&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Receber olhares cheios de admiração, desejo e curiosidade é como uma flor que todas as mulheres aspiram deliciadas. Algumas mulheres cumpridoras de seus deveres, lindas e virtuosas, voltam para a casa de mal-humor quando não colhem um ramalhete de galanteios durante um passeio.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Bálzaqueas  5“O homem dominado pela mulher é, com justiça, coberto pelo ridículo. A influência da mu...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Wed, 20 Aug 2008 18:04:42 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Bálzaqueas  5&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“O homem dominado pela mulher é, com justiça, coberto pelo ridículo. A influência da mulher deve ser absolutamente secreta. Em tudo, a graça nas mulheres está no mistério.”&lt;br/&gt;Balzac&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Obrigado, ZéPedido de mãe não é coisa que se ignore. Minha mãe pediu que eu escrevesse um artigo sob...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Tue, 19 Aug 2008 20:02:56 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Obrigado, Zé&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pedido de mãe não é coisa que se ignore. Minha mãe pediu que eu escrevesse um artigo sobre amizade. Já falei sobre minha mãe. Seu único fracasso foi não transmitir a mim seu português impecável. (Se não falei, deveria ter falado.) Minha mãe, sempre que eu pedia um copão de Nescau, me corrigia: “Copão não, Fabinho. Copázio”. Tomei (e tomo) muito Nescau na vida, em copos às vezes enormes, mas jamais consegui pedir um copázio. &lt;br/&gt;Bem, trato então de atender ao pedido de minha mãe. Vou escrever sobre amizade. Como definir? Me ocorre uma frase de Santo Agostinho que me foi mostrada uma vez por tio Fábio, um falecido homem sábio do interior. Deus o tenha.  Alguém solicitara de Agostinho uma definição sobre o tempo. Quando não pensava nele, Agostinho sabia o que era. Quando pensava, não conseguia defini-lo. Amizade é mais ou menos como o tempo. Sabemos o que é no dia-a-dia, mas, quando paramos para encontrar uma definição, faltam palavras. &lt;br/&gt;O que levou minha mãe a me fazer o pedido foi uma cena de amizade que ela testemunhou. Num momento particularmente difícil para seu filho Fabinho,  a aparição sorridente e exuberante de um amigo teve o efeito iluminador, quase redentor, de uma chama que traz luz e calor a um quarto escuro e frio. O nome desse amigo é José. Zé. Simplesmente Zé. (Adoro a simplicidade sonora de Zé.)&lt;br/&gt;Eu estava me preparando para ir para o hospital. Seria operado no dia seguinte. Um problema que parecera banal se revelara, com rapidez avassaladora, sério e ameaçador. Num dia eu estava jogando uma partida de tênis de quase 2 horas. No outro, me confrontava com a iminência de uma cirurgia complicada. Subitamente contemplei a própria mortalidade. Gostaria de dizer que me comportei de forma heróica e estóica, mas estaria ludibriando a mim mesmo e a quem me lê. A verdade é que senti muito medo. Jamais, até ali,tivera projetos de morrer antes dos 90 anos. &lt;br/&gt;Minha família estava toda reunida na tarde em que eu iria para o hospital. Eu já tinha chamado o elevador quando avisaram, pelo interfone, que o Zé  chegara. O Zé passara, dois anos antes, por uma situação idêntica à minha. Lembro que fui a terceira pessoa a quem ele contou seu problema. Primeiro, falou para a mãe. Depois, para a namorada. Depois, para mim.&lt;br/&gt;Ver, momentos antes de partir para o hospital, o Zé tão bem, tão pleno de vida, tão cheio de planos, foi indescritivelmente animador para mim. E mais ainda para minha mãe, tão hábil em disfarçar sua apreensão em relação a seu Fabinho. Conversamos rapidamente, porque eu já estava atrasado. Mas daquela breve conversa surgiu um modelo, uma referência, uma motivação para mim. Dali por diante, quando um fantasma me as-sombrava, a imagem vivaz do meu amigo Zé era a resposta.&lt;br/&gt;Dias depois, já operado, minha mãe disse que jamais vira uma demonstra-ção tão bela de amizade. E me pediu que um dia escrevesse sobre isso.  Quando o Zé foi me visitar no hospital, reproduzi para ele as palavras de minha mãe. Ele ficou com os olhos marejados. (A última vez em que o tinha visto com os olhos úmidos fora exatamente quando me narrara seu problema.) E eis-me aqui cumprindo o desejo de minha mãe. E também meu: fica registrada aqui minha gratidão eterna a meu amigo Zé. Como Agostinho em relação ao tempo, não sei definir a amizade. Mas sei o quanto um amigo pode tornar nossa vida melhor. Obrigado, Zé. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 4&quot;O amor contém em si um fenômeno tão raro que se pode viver a vida inteira sem encontrar...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sat, 16 Aug 2008 11:29:40 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 4&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;O amor contém em si um fenômeno tão raro que se pode viver a vida inteira sem encontrar a criatura a quem a natureza conferiu o dom de nos fazer felizes. Essa reflexão é de arrepiar porque, se a criatura é encontrada tarde, que fazer?&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>Miopia amorosaMeu tio Fábio, falecido homem sábio do interior, certa vez me disse o seguinte: “Mante...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 11 Aug 2008 15:33:11 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Miopia amorosa&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Meu tio Fábio, falecido homem sábio do interior, certa vez me disse o seguinte: “Mantenha distância de mulheres que usem muito as palavras ‘eu’, ‘meu’, ‘minha’. Prefira as que falem ‘nós’, ‘nosso’ e ‘nossa’. Algumas vezes não segui os conselhos de tio Fábio, Deus o tenha. E nessas vezes todas vezes me dei mal. Topei com mulheres egocêntricas, para as quais poucas coisas, se é que alguma, importavam além delas mesmas. (A advertência de tio Fábio se aplicaria perfeitamente também para as mulheres. Fosse eu Fabia, não Fabio, ele certamente diria para fugir de homens que despejam pela boca ‘eu’, ‘meu’, ‘minha’.)&lt;br/&gt;A boa relação amorosa só é boa porque os dois pensam menos em seus interesses pessoais e mais nos interesses de ambos. Não estou dizendo aqui, longe disso, que você deve abdicar de suas vontades. Quando você faz isso começa a morrer. O que estou propondo – aliás, nem sou eu, mas tio Fabio - é que se levem em consideração as vontades dos dois. (E lá vou eu para mais uma digressão. Um amigo meu, Carlos, um grande cara, sempre bem-humorado, gosta de contar sorrindo que sua namorada joga fora seu exemplar da Playboy quando o vê com a revista. Um dia esse sorriso fatalmente desaparecerá. Carlos abdicou de sua vontade. E foi ajudado por uma namorada que diz copiosamente ‘eu’, ‘meu’ e ‘minha’. Namoros assim não podem dar certo. E não dão.&lt;br/&gt;Você tem que doar algo no amor. E a mulher também tem que doar algo a você. O grande amor, o amor verdadeiro, é essencialmente solidário e altruísta. Ela quer sair pra dançar. Você quer ficar em casa comendo pipoca e vendo o teipe de um jogo do campeonato italiano. É uma situação absolutamente normal. Banal. Ela se complica quando nem você consegue enxergar o desejo dela (e concordo que sair para dançar é um grande mico, sobretudo quando se pode ver o teipe de um jogo e há um saco de pipoca louco pra ser posto no microondas), nem ela o seu. Os dois são, nesse caso, amorosamente míopes. E não há nada, nem mesmo uma abrasadora química que leva a um sexo extasiante, que resista à miopia amorosa. O míope amoroso só vê a si próprio. E depois, quando as coisas não dão certo, atribui toda a responsabilidade à outra parte. &lt;br/&gt;Permissão para mais uma digressão? Gracias. O míope amoroso (homens e mulheres estão incluídos nessa categoria, evidentemente) jamais limita sua miopia ao campo do amor. Estende a todas as outras atividades. No trabalho, o chefe é, para ele, sempre um tirano injusto. E o colega, na visão parcial e distorcida dele, está sempre pronto para puxar seu tapete. Quando um projeto fracassa, a culpa é jamais do míope. O míope amoroso é míope profissional também. O mundo o persegue, cruel como um cossaco russo, para usar uma expressão clássica de tio Fabio. (Jamais soube se os cossacos russos eram cruéis mesmo. Mas não faz mal. Se tio Fabio falou, para mim, já é mais que o suficiente.)&lt;br/&gt;Reconhecer uma mulher que só pensa nela mesmo é fácil. Ela pode ser esperta o bastante para não abusar do uso de ‘eu’, ‘meu’ e ‘minha’. Mas numa conversa, quando você estiver falando de suas coisas, os olhos dela rapidamente voarão para um ponto bem distante. Ela não prestará atenção senão no que disser a respeito ela mesma. A mulher de vista plena, em oposição à míope, olhará fixamente nos olhos. Ouvirá com devoção cada palavra que você disser, mesmo que não concorde com nada. E depois será capaz de reproduzir suas falas nas vírgulas. Os relacionamentos são todos difíceis, sabemos  nós. Mas são simplesmente impossíveis quando a seu lado está uma míope amorosa. Aí, por mais esforço que você dedique ao namoro, por mais empenho que tenha para que as coisas funcionem, se tratará de mais um triunfo da esperança sobre a experiência, para usar a clássica expressão do Dr. Johnson.&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 3&quot;A mulher talentosa, na sociedade, sabe tanto o que falar quanto o que calar.&quot;Balzac</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sun, 10 Aug 2008 13:28:06 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 3&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;A mulher talentosa, na sociedade, sabe tanto o que falar quanto o que calar.&quot;&lt;br/&gt;Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>A mulher e o homem menos sexy do mundo“Acho um absurdo”, disse Cris a Pedro.Cria achava muitas coisa...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Tue, 5 Aug 2008 17:39:56 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;A mulher e o homem menos sexy do mundo&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Acho um absurdo”, disse Cris a Pedro.&lt;br/&gt;Cria achava muitas coisas absurdas, pensou Pedro.  Era uma mulher de opiniões firmes. Passional.  Punha as mãos nos quadris quando estava irada. Estavam numa mesa no Nossa Senhora, e ela bebia um Cosmo, como aprendera com Sex and The City. Pedro tomava um steinhegger, como aprendera com seus mestres no jornalismo nas madrugadas no Bar do Alemão depois do fechamento da revista.&lt;br/&gt;“O que é absurdo?”&lt;br/&gt;“A Maxim. Aquela revista machista. Dizer que a Sarah Jessica Parker é a mulher menos sexy do mundo. Ela é o maior símbolo da mulher moderna.  Inteligente, chique. Fora os Manolos. Ela ficou chateada. Os caras foram sacanas com ela. Você não acha?”&lt;br/&gt;Cris olhos para Pedro com um olhar que ele julgou pedir solidariedade a Sarah Jessica Parker. Mas a verdade é que ele não discordava dos editores da Maxim.&lt;br/&gt;“Hmmm. Não. Sinceramente não.  Mulher sexy faz bispo chutar poste, como diz o tio do Fabio.  Você olha para a Sarah Jessica Parker e pensa em muita coisa, menos em sexo.  Aliás: as outras três amigas poderiam estar no pódio ao lado dela. ”&lt;br/&gt;“Você é um machista como aqueles caras da Maxim, Pedro. E eu umas vezes amo isso. Mas outras vezes odeio. Como agora. Eu fui moldada pela Carrie e suas amigas. Elas foram minha maior inspiração na vida. Eu vi todos os episódios. Sabe o que é isso? Tenho as temporadas completas em DVD. Conheço cena por cena.” &lt;br/&gt;Pedro se lembrou de uma seleção de episódios que Cris fizera depois de três taças de vinho. Lol. Carrie, para ele, ficava menos sexy a cada episódio. Suas amigas também.  Miranda mais que todas.  Parecia um garoto desajeitado. A Pedro não surpreendeu que a atriz que fazia Miranda tornasse pública sua preferência por mulheres. Estava na cara que era uma sapata. As cenas na cama com homens. Miranda parecia enojada, e o parceiro também.&lt;br/&gt;“E o Kaká, você também achou absurdo?”, perguntou Pedro. A revista Criativa fizera uma lista parecida com a da Maxim. Só que com homens. Os caras menos sexy do mundo. Galvão Bueno estava lá. Luciano Huck também. Tom Cruise, claro. À frente de todos, Kaká. Mais um título em sua carreira. O melhor jogador do mundo em 2007 segundo a Fifa. O homem menos sexy do mundo em 2008 segundo a Criativa.&lt;br/&gt;“Não”, respondeu Cris. “ O Kaká parece um pastor. Mas a Sarah Jessica Parker.  Os caras da Maxim deviam receber uma punição exemplar pelo que disseram dela.”&lt;br/&gt;“A melhor punição que eles poderiam receber é passar uma noite com ela e as três amigas.”&lt;br/&gt;Cris ia falar alguma coisa em defesa das quatro, mas achou melhor simplesmente pedir mais um Cosmo em homenagem a suas inspiradoras. Mesmo o mundo machista dos editores da Maxim e de Pedro fica melhor depois de dois Cosmos, pensou ela.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 2&quot;Não há estímulo maior no amor para uma jovem mulher do que um obstáculo.&quot;              ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sun, 3 Aug 2008 18:56:07 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 2&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Não há estímulo maior no amor para uma jovem mulher do que um obstáculo.&quot;&lt;br/&gt;                                                                                        Balzac</description>
    </item>
    <item>
      <title>O primeiro amor                           Tio Fábio, Deus o tenha, foi um homem sábio do interior. U...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Thu, 31 Jul 2008 19:59:44 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;O primeiro amor   &lt;/b&gt;    &lt;br/&gt;                    &lt;br/&gt;Tio Fábio, Deus o tenha, foi um homem sábio do interior. Uma vez ele me viu aflito com uma pilha caótica de livros que eu tinha na cabeceira. Tanta coisa para ler, tão pouco tempo: esse é o motivo da minha aflição, expliquei a tio Fábio. Na próxima vez que o encontrei ele me passou uma citação de Sêneca, o grande filósofo romano de quase 2000 anos atrás. Tenho-a até hoje. “Uma profusão de leitura sobrecarrega o espírito, mas não o ilustra. É melhor se aplicar num pequeno número de atores do que vagar no meio de muitos.” (Adiante, conforme me contou tio Fábio, Sêneca quase louvou o célebre incêndio da biblioteca de Alexandria, considerado pela visão convencional como um dos maiores desastres culturais da humanidade. Sêneca qualificou a biblioteca queimada como um exemplo de “orgia de literatura”. Tio Fábio gostava de Sêneca porque admirava gente que pensa diferente. Herdei essa admiração. Uma das razões pelas quais falo tanto de tio Fábio é que ele pensa diferente.)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Agora confesso que esqueci por que falei em Sêneca e no esforço inútil despendido em letras inúteis. Ah, lembrei. É que no esforço de seguir o romano genial eu passei a me concentrar em alguns autores, não numa infinidade. E tirei de minha vista a montanha de livros que me trazia tanta ansiedade. Entre as minhas poucas e boas constantes leituras estão dois escritores “espirituais”. Um deles é o monge católico Thomas Merton, já morto. O outro é o monge zen Thich Nhat Hanh, um vietnamita que ergueu uma comunidade budista num lugar retirado na França.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Citei ambos porque, em livros que escreveram, eles trataram de um assunto que é único, vital, indelevelmente marcante na vida de um homem: o primeiro amor. É quando descobrimos que não somos mais crianças. É quando descobrimos que existem outros prazeres além da bola de futebol ou do videogame. E é quando descobrimos também o quanto a alegria está conectada com a tristeza. O quanto a euforia está próxima da angústia. Um telefone que toca com a voz de quem você deseja ouvir. É então o êxtase. Um telefone que teima em ficar cruelmente silencioso. Você é um antes do primeiro amor. E outro depois. Os beijos. O adeus. (E então me ocorre aquela linda canção chamada Crying Game, que deu nome ao filme com o mesmo nome. “First there are kisses/ Then there are sighs/ And then before you know where you are/ You’re saying goodbye”. Primeiro os beijos, depois o suspiros, e antes que você saiba onde está, já está dizendo adeus, mais ou menos isso numa tradução livre. A gravação de Crying Game por Boy George é estupenda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Merton, em sua autobiografia, nota algo que eu nunca tinha pensado. Somos tão jovens, tão frágeis, quando aparece pela primeira vez em nossa vida aquela onda avassaladora, o primeiro amor. Tanto impacto e somos tão indefesos. Merton se apaixonou antes de virar monge. Thich Nhat Hanh, num pequeno livro chamado Cultivando a Mente de Amor, confessa a paixão que o tomou quando, jovem monge, conheceu uma monja. Ele diz que decidiu falar desse amor para ajudar os outros monges que por acaso enfrentem a mesma situação. Transcrevo um texto que Thich Nhat Hanh fala do objeto de seu amor: “O comportamento dela como monja era perfeito - a forma de se mover, de olhar, de falar. Ela era tranqüila. Jamais dizia alguma coisa, a menos que lhe perguntassem”. (Eis, segundo meu amigo Thunder, que recentemente adotou uma barba hemingwayana, a fórmula da mulher perfeita. A que só fala quando lhe pedem para falar. Thunder é um cínico amoroso.) Mais adiante o monge budista compara seu amor a uma tempestade pela qual ela e ele tinham sido apanhados sem saber como. E também sem saber como escapar. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ele aconselha a gente a pensar, tempos depois, no primeiro amor. Vamos notar coisas que não percebemos na ocasião. É o que faço agora. Deus, que tempestade. O vestido verde e a blusinha amarela da festa em que começamos a namorar. Os cabelos negros, a tez morena, os olhos verdes. A menina mais bonita da cidade. Afastei-a de mim porque não suportava me sentir tão pequeno. Quanto tempo demorei para entender meu comportamento destrutivo. A tempestade do primeiro amor. Fui apanhado por ela, e poderia ter me deixado levar por suas águas copiosas e deslumbrantes, mas não tive força para fazer outra coisa que não fosse fugir. Fugi de tudo. Até de mim mesmo.&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Balzáqueas 1Erro pela minha biblioteca desorganizada. Apanho um Balzac, e me dá vontade de reler A C...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Tue, 29 Jul 2008 18:41:51 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Balzáqueas 1&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Erro pela minha biblioteca desorganizada. Apanho um Balzac, e me dá vontade de reler A Comédia Humana. Balzac foi o maior de todos os romancistas. Um contador de histórias sublime. Ferino, cáustico, corrosivo. Se você tem que ler um romancista na vida, o nome é Balzac. Me ocorre compartilhar aqui algumas de suas frases espirituosas. Vou enfeixá-las sob o título Balzáqueas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A quem agrada a idéia? A quem não?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Bem, antes que essa enquete diga algo, vamos a uma amostra. Uma jovem e inocente esposa procura uma mulher madura e libertina em busca de conselhos amorosos. Seu marido estava se comportando mal. O irônico é que a jovem vai atrás exatamente da mulher por quem seu marido estava encantado. A libertina se comove com a infeliz em lágrimas. E lhe diz: “Em primeiro lugar, aconselho-a a que não chore assim, porque as lágrimas enfeiam. É preciso saber conformar-se com as tristezas; estas fazem adoecer, e o amor não fica muito tempo junto a um leito de dor. A melancolia dá, é verdade, no começo, um certo encanto que agrada, mas acaba por desmerecer as feições e emurchecer o rosto mais sedutor. Além disso, nossos tiranos – os homens – querem que suas escravas estejam sempre alegres.&quot;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Nem Sócrates poderia dizer coisa mais sábiaUma cena de Beleza Americana me impressionou particularme...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Sat, 26 Jul 2008 18:42:31 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Nem Sócrates poderia dizer coisa mais sábia&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma cena de Beleza Americana me impressionou particularmente. O filme todo me fascinou, aliás. Tenho que vê-lo de novo. Acho sublime, comovedora aquela busca desesperada e vã do homem pela juventude perdida. Mandar para o lixo a carreira bem-comportada depois de uma conversa franca com o chefe dilbertiano e ir trabalhar numa lanchonete, sem metas e cobranças que fossem além de entregar com um sorriso o hambúrguer para o freguês. Comprar um carrão imprestavelmente lindo de 20 anos atrás apenas para realizar um sonho que ficará lá longe num mundo que se perdera. E correr atrás de uma garota como se fosse, ele próprio, um garoto e não um homem vencido pelo correr dos dias. Braços remando contra a correnteza, como escreveu Fitzgerald no final de Gatsby. Somos condenados a remar contra a correnteza, e só não encerro essa digressão aqui porque me ocorre uma frase de Cícero cortante como a espada de Musachi, o maior dos samurais: o tempo nos tira as certezas que temos na juventude e, ao perdê-las, vai com elas uma ousadia petulante que é maravilhosa por ser ingênua. E essa é a maior das maldades do tempo, e ainda que as certezas fossem, todas elas, erradas.&lt;br/&gt;Mas era sobre a cena da primeira sentença que eu queria falar. A mãe frustrada, que imagina encontrar a resposta para um casamento miserável nos braços de um amante rico e engomado, diz para filha depois de uma briga conjugal que terminou com pratos lançados na parede: ‘’Você aprendeu a maior de todas as lições, você aprendeu que tem que contar apenas com você mesma”. Quando narrei esse episódio a tio Fábio, ele, com sua voz estentórea de imperador romano, disse: “Sócrates não teria falado nada melhor. Talvez Sêneca, mas mesmo assim não tenho certeza”. (Sêneca era o filósofo predileto de tio Fábio.)&lt;br/&gt;Temos que contar com nós mesmos, e no entanto quase sempre depositamos nossa felicidade (ou infelicidade) nos outros. Ninguém pode nos ajudar se nós próprios não nos ajudamos. Ninguém mesmo: nem a mãe, nem o pai, o amigo, o irmão, a namorada ou a mulher. Ninguém. Vivemos num mundo em que a solidão é tratada como um anátema, um estigma, um mal a evitar. Um grande homem da Roma Antiga disse que jamais estava menos só do que quando estava só, entrega às reflexões. E no entanto poucas coisas nos enchem de tamanho horror quanto a solidão. É porque não contamos com nós mesmos. E assim lá vou eu pra mais uma das minhas citações favoritas: estamos sempre fugindo de nós mesmos. Lucrécio, poeta romano.&lt;br/&gt;A única coisa que temos sob nosso controle somos nós. Nossa mente e nossas ações. O resto, não. Sua namorada deixou você? É triste, se você gosta dela, mas, se você tem presente que deve contar mesmo é com você próprio,  esse é um episódio de tranqüila superação. Não está no seu controle obrigá-la a amá-lo até o último dia. Sob seu controle está você mesmo. É com você mesmo que você deve contar. Não pode haver mais sólido refúgio do que esse contra  as adversidades e incertezas da vida. Foi isso que, naquela cena de Beleza Americana a mãe disse à filha. Era uma mulher histérica, descontrolada, falsa. Mas, vale a repetição, nem Sócrates poderia ter dito uma coisa mais sábia à garota arrasada. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Frase do Dia&quot;Após um divórcio, tudo que posso dizer é que na melhor das hipóteses há uma frieza mort...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Mon, 21 Jul 2008 17:14:58 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Frase do Dia&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&quot;Após um divórcio, tudo que posso dizer é que na melhor das hipóteses há uma frieza mortal e, na pior, uma ativa sacanagem de parte a parte.&quot;&lt;br/&gt;Norman Mailer, o grande escritor americano morto recentemente, um cara que quis ser Hemingway e quase conseguiu. Casou e se divorciou algumas vezes&lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Dona Isabel e Bira   Palavras de tio Fábio, um homem sábio do interior: “Você tem, pela vida afora, ...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Fri, 18 Jul 2008 17:09:39 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Dona Isabel e Bira&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;   Palavras de tio Fábio, um homem sábio do interior: “Você tem, pela vida afora, uma infinidade de modelos para seguir. A sabedoria está em escolher os modelos certos e descartar os errados. Parece fácil, mas, como tudo o que parece fácil, é na verdade dificílimo”. Reproduzo de memória as palavras de tio Fábio. (Eu deveria estar sempre munido de caneta e papel ao conversar com tio Fábio para registrar suas impressões, mas sou indisciplinado demais para isso.) E coloco em sua boca uma expressão que ele jamais usaria, um superlativo, o “dificílimo’’. Tio Fábio, como todo cultor da elegância ao falar e escrever, despreza os superlativos, recurso de escritores baratos como seu sobrinho.  (O agregado criado por Machado de Assis em Dom Casmurro, um pequeno grande personagem da literatura brasileira, era obcecado por superlativos.) &lt;br/&gt;   Mas o assunto são os exemplos, as referências que tomamos para a vida. Gostaria de falar de dois modelos que tive, um de um homem e um de uma mulher. O de mulher foi dona Isabel. Dona Isabel foi a empregada de minha casa nos meus dias de garoto. Descobri a força da mulher em dona Isabel. Com uma vassoura e seus gritos potentes, tocava com completa autoridade para fora de casa meus amigos quando eles faziam o que ela julgava ser bagunça. &lt;br/&gt;  Dona Isabel era nordestina. E nos ensinou, sem querer, o inigualável linguajar nordestino. “Esse menino num vai tomá rujão de gente”, dizia sobre mim quando eu fazia arte. Ela previa, aliás com clarividência, que o pequeno Fabio não criaria tão cedo juízo. Dona Isabel passou a vida inteira falando errado o nome de meu pai. Ainda hoje, tantos anos depois da morte de ambos, lembro com emoção a maneira como ela o chamava.  Seu Ermírio.&lt;br/&gt;   Dona Isabel chegava cedo em casa. Lá pelas 6 da manhã. E não tinha a menor cerimônia em entrar no quarto que eu dividia com meu irmão, abrir as gavetas estrepitosas e guardar as roupas. Como preciosa compensação, levava na cama, a mim e meu irmão, um copo de Nescau bem preto. Dona Isabel vivia só, abandonada pelo marido, e cuidava bravamente de uma série de filhos, e depois dos filhos dos filhos. Nunca disse a ela o quanto a amava, e agora penso que se lhe dissesse ela me mandaria tomar ‘’rujão de gente’’. &lt;br/&gt;   Rendi-lhe o canhestro tributo de um escritor barato há alguns anos, quando escrevi um conto pornográfico chamado Dona Isabel. Ela não o leria, ainda que estivesse viva, pois era analfabeta. Com dona Isabel não conheci apenas o poder da mulher. Aprendi também que a sabedoria não está na cultura livresca. Dona Isabel não sabia ler, e foi uma das pessoas mais sábias que conheci. Uma das culpas que levo comigo é não ter ido a seu enterro. Imagino que eu estivesse no fechamento da revista, mas logo percebi que mil fechamentos de revista não valiam o ato de despedida de uma das mulheres que mais amei em minha vida, e a quem sou mais grato.&lt;br/&gt;  Agora o homem, um de meus modelos masculinos. Bira era o nome. Não sei se Ubirajara ou Ubiratã. Bira era o típico galã da baixada: bonitão, sempre bronzeado, galanteador. Dizia para as mulheres, olhando-as bem nos olhos, num tom macio e bem lentamente: ‘’Meu bemmmmm’’. Picasso dizia que as mulheres se dividem entre  deusas e capachos, e queria que todas fossem capachos para ele. Bira fazia o contrário. Todas eram deusas. Com  Bira aprendi que rir é o melhor remédio. Foi meu companheiro em memoráveis noites de pôquer na baixada. De vez em quando, dizia que precisava se afastar do jogo; então se levantava e afastava a cadeira da mesa.  Uma das melhores cenas de jogo que conheço foi estrelada por Bira. Muitas fichas na mesa, apreensão, suspense. Bira anuncia uma seguida, para tristeza de todos nós os outros jogadores. Ao colocar as cartas na mesa, Bira acreditava mesmo ter um grande jogo. Só que era uma sequência furada. Bira estava bêbado, como sempre. Era impossível não perdoá-lo, e nós afinal achamos graça numa jogada que com outro cara nos teria enfurecido.&lt;br/&gt;  Bira foi dono do Bira’s bar, na Vila Mar, para mim mais excitante que o Rick’s bar de Casablanca. Comandava o bar com a classe de Humphrey Bogart, e com muito mais bom humor. Seu bar era decorado com frases que se vêem em pára-choques de caminhões. Uma delas dizia: ‘’Se você me encontrar abraçado com mulher feia, separa que é briga’’.  Pelo menos em minha memória eram lindas as mesas em sua simplicidade de litoral pobre. Pareciam pequenas cabanas.  Bira viveu rindo e fazendo rir e, enquanto ria e fazia rir, bebia. Adolescente, mantive ali uma conta nos verões pelo dinheiro que Bira me devia no pôquer. Bira dizia que eu era perigoso no jogo. Nunca comi camarões fritos comparáveis aos feitos por Vilma, a mulher de Bira.&lt;br/&gt;  Morreu de beber no natal passado. (Sem piada.) Mando daqui minha gratidão eterna, Bira Boy, galã supremo da Vila Mar, por tantos risos que você me proporcionou. &lt;br/&gt;</description>
    </item>
    <item>
      <title>Saudade do PoltergeistCris e Pedro estavam à beira da piscina em Ribs, cada qual com um livro. Pedro...</title>
      <link>http://www.ohomemsincero.globolog.com.br</link>
      <pubDate>Fri, 11 Jul 2008 15:10:27 BRT</pubDate>
      <description>&lt;base href=&quot;http://www.ohomemsincero.globolog.com.br/&quot;&gt;&lt;b&gt;Saudade do Poltergeist&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris e Pedro estavam à beira da piscina em Ribs, cada qual com um livro. Pedro relia um romance policial de Agatha Christie,  O Caso dos Dez Negrinhos. Agatha Christie sempre fora sua escritora policial predileta. Lera ao longo dos anos muitos anos romancistas policiais supostamente superiores, de PD James a Chandler, de Hammett a Patricia Highsmith. Mas todos lhe pareciam principiantes comparados a Christie na arte de desafiar o leitor a encontrar o assassino. Regularmente Pedro fazia uma limpeza em sua biblioteca, e dava os romances policiais. Excetuada sua amada coleçao de Agatha Christie. Pedro lhe era imensamente grato por tanto entretenimento proporcionado ao correr dos longos dias. Havia, fora isso, um elo com o pai. Como Graham Greene, o primeiro livro de Agatha Christie que lera lhe fora passado pelo pai. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cris estava lendo um livro de ensaios de Paul Johnson, uma ode aos inovadores e criadores na arte, de Chaucer a Austen, de Dürer a Shakespeare, de Hugo a Turner. Cris pintava. Tinha uma tela em sua sala, e vendera quadros por uma quantia interessante numa temporada que passara na Europa. Tinha uma reproduçao de um Klimt em sua casa. De Klimt amava tanto quanto a arte o amor dedicado a sua mulher e modelo. Era jovem, espirituosa, inteligente. Petulante como costumam ser as mulheres bonitas. Pedro a imaginou num repente gravida, embora as mulheres da geraçao Sex And The City parecessem nao apreciar tanto assim a maternidade. Uma criança morena e agitada, como a mae, pensou. Sofia talvez fosse um bom nome. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Detestei”, disse ela. Tirou os olhos de Natasha do livro e os fixou em Pedro.&lt;br/&gt;“O quê?” Pedro sabia que Cris era temperamental. Amava as coisas com facilidade, mas podia detestar com facilidade ainda maior.&lt;br/&gt;“O que o Paul Johnson escrev